quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Capítulo 73 – O truque

Capítulo 73 – O truque

A voz de Mulan voltou e o grito dela ressou por toda a floresta.
A chinesa curvou-se sobre o corpo caído de Harry, desesperada, sem ousar toca no pedaço de madeira que ainda pendia em suas costas.
– Harry! – ela berrou. – Não! Não! Seu idiota! VOCÊ NÃO PODE MORRER! AHHHHH! – o grito de dor ecoou pela floresta, fazendo alguns pássaros levantarem voo das árvores ao redor.
               Ela ouviu a risada do estranho duende. De súbito, os olhos dela se inflamaram, repletos de lágrimas, enquanto ela encarava a odiosa criatura.
               – Você! – ela urrou. – Você jogou o tronco nele!
               – Não, minha cara. – disse o duende. – Eu não joguei absolutamente nada nele.
               Mulan estava furiosa. O que aquele assassino estava dizendo?! Ele acabara de matar Harry!
               Exasperada, Mulan se levantou e avançou contra a criatura, que permaneceu no mesmo lugar, um sorriso debochado encurvando-lhe os lábios.
               – Parece que você está de olhos bem abertos agora, não? – ele riu.
               – Seu maldito, o que está diz...? – ela começou, mas foi interrompida por uma voz à sua direita.
               – Mulan!
               Em um primeiro momento, o coração dela se encheu de um calor súbito, ao ouvir a voz vívida e saudável de Harry. Instanstaneamente, e inadvertidamente, ela olhou para a direita.
               Harry acabara de entrar na clareira, parando ao vê-la com a espada e ao duende mais à frente.
               – Mulan! – ele disse novamente. – Você está bem?!
               Os olhos de Mulan se arregalaram enquanto seu rosto se virava para trás, onde... Harry estava caído no chão.
               O duende deu uma gargalhada de deleite que ecoou por toda a extensão da floresta.
               O Harry que estava caído no chão subitamente começou a escurecer. Seus músculos pareceram ficar também duros, pontiagudos e angulosos. Em questão de segundos, a pele perdeu sua cor e maciez, dando lugar à visão de galhos de árvore entrelaçados que, pouco a pouco, foram secando e apodrecendo.
               A gargalhada continuava, enquanto Mulan compreendia o que havia acontecido.
               – Não... – ela sussurrou, a mão deslizando involuntariamente para o punho de sua espada.
               Harry não entendeu absolutamente nada.
               – O que está acontecendo?! – ele indagou, ao que a chinesa, com lágrimas nos olhos, encarou-o e deu um lento passo em sua direção.
               – Harry... – a voz dela tremia, e ela parecia estar fazendo um grande esforço para não andar. – Fuja.
               Ele franziu o cenho.
               – Senhoras e senhores... – falou o duende. – O espetáculo está para começar!
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               – Aqui, aqui, duende... – Niall falou, abaixando-se e fazendo um certo barulho como que chamando a um gato. Em seguida, ele assobiou, estendendo a mão com algumas moedas de ouro, a fim de atrair a criatura.
               – Eu não sou tonto, sabe? – falou, subitamente, o duende, fazendo cara de entediado. – Por que será que todo mundo pensa isso quando me vê?
               – Você fala! – exasperou-se Liam.
               O duende revirou os olhos.
               – Pelas cores do arco-íris... – ele suspirou.
               Niall se aproximou dele.
               – Er... Olá, senhor duende. – ele disse timidamente. – Desculpe-me pela ignorância. Acho que você deixou cair isto pelo caminho. – o ferreiro estendeu as moedas de ouro ao duende.
               – Oh! – agora a expressão do duende era de surpresa. – Eu nem havia percebido. Obrigado, rapaz. – ele sorriu, simpático, pegando o ouro de volta e levantando seu pote a fim de ver a parte de baixo. – Ah, rachou de novo! Eu já disse para o chefe trocar de material, esse é muito frágil.
               – Não é de ouro? – perguntou Niall, estranhando.
               – Tá brincando? – respondeu o duende. – Não se fazem mais potes de ouro há pelo menos três mil anos. Depois da era da manufatura e de um duende chamado Denry Dword, as coisas mudaram. Hoje, pra economizar, é tudo de porcelana com uma pintura dourada por cima.
               Niall riu como uma criança.
               – Como ele é fofinho! – falou para Liam.
               O sorriso do duende se desfez. Por que todos o tratavam quase como um bichinho de estimação fofo? Era maduro, tinha família e filhos, trabalhava para se sustentar. Fofura era a última coisa que ele desejava aparentar.
               Suspirando de novo para evocar paciência, ele olhou para os dois rapazes à sua frente.
               – Bem, pelo protocolo, vocês agora têm direito a que eu realize um desejo de vocês. E aí, o que vai ser? Posso sugerir as opções mais comuns: “riqueza infinita”, “imortalidade”,  ‘trazer alguém dos mortos”, “comer sem engordar”, “ser a Kim Kardashian”, hmmm...
               – Você pode mesmo fazer todas essas coisas?! – perguntou Liam, admirado.
               – Não. – respondeu o duende. – Eu estava apenas brincando. Mas, sério, isso é o que a maioria pede.
               – O que pode fazer por nós, então? – quis saber Niall.
               – Por que não me diz o que você quer, e eu vejo se posso ajudar? – sugeriu a criaturinha.
               Liam e Niall trocaram um olhar e deram de ombros. Por que não?
               Com o pensamento em sintonia, os dois já sabiam o que pedir.
               – Gostaríamos que você curasse os olhos de nosso amigo. Ele acabou de ficar cego após cair num espinheiro. – Liam proferiu.
               O duende balançou a cabeça, os olhos tristes.
               – Eu sinto muito, mas isso está além daquilo que posso oferecer. Não sou Deus, nem Jesus Cristo.
               Os dois amigos subitamente ficaram cabisbaixos. Além de restabelecer a integridade física e possivelmente psicológica de Zayn, o que mais eles poderiam querer? Liam pensou então em algo que talvez pudesse ajudar Louis, Harry e Tay...
               Sim! Era isso! Lembrando-se de sua missão, Liam logo pediu:
               – Senhor duende, precisamos encontrar alguns de nossos amigos, mas nosso meio de transporte foi destruído. – disse, referindo-se ao espelho quebrado ao refletir a magia da bruxa Swift.
               – Hmmmm... – falou o duende. – Isso eu posso fazer. É bem simples, aliás.
– Ótimo! – Liam sorriu, olhando para seu amigo.
– Só tem apenas um problema... – Niall refletiu. – Não sabemos exatamente onde eles estão agora. – ele virou-se para Liam. – O espelho nos mostraria o local, mas sem ele ficamos sem nenhuma referência.
Liam ia responder, mas o duende foi mais rápido.
– Isso não é problema. – pontuou. – Posso levá-los a qualquer lugar, ou a alguém. Basta pensar no ambiente ou na pessoa que deseja encontrar.
– Fantástico! – Niall se alegrou.
– Muito bem, muito bem, então. – continuou o duende. – Se já estiverem preparados, eu preciso fazer um check-up em um lugar bem distante daqui, e já estou começando a me atrasar. Vamos?
Liam e Niall olharam um para o outro.
– Mas... Zayn... – começou Niall.
– Não há tempo. – Liam trouxe-lhe a razão. – Precisamos partir. Louis e os outros talvez estejam precisando de nós.
– Mas...
– Ele não pode nos ajudar agora, Niall. Ele precisa descansar e receber cuidados.
               – Você tem razão... – Niall abaixou o rosto.
               Os dois amigos respiraram pesadamente e se voltaram para o duende, que retribuiu o olhar.
               – Preparados? – ele perguntou, sorrindo.
               Liam e Niall assentiram.
               – Ótimo. – ele falou, mexendo a mão.
               Assim que ele fez o gesto, a névoa espessa e esbranquiçada atrás da criatura se espalhou, envolvendo os pés de Liam e Niall.  O duende que flutuava, planou até o arco-íris atrás de si e começou a seguir a direção do fenômeno. Quando viu que não estava sendo seguido, virou-se para os rapazes.
               – Vocês não vêm? – quis saber.
               Os dois amigos trocaram um olhar incrédulo.
               – Você está nos mandando subir num arco-íris? – Niall não conseguia conceber aquela ideia.
               – E por onde você acha que vocês serão transportados até seus amigos? – o duende arqueou uma sobrancelha.

               Liam estava embasbacado. Ele ficou ainda mais descrente quando pisou na base do arco-íris e começou a subi-lo, como uma ponte de vidro colorido.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Capítulo 72 – Um corpo que cai

Capítulo 72 – Um corpo que cai

Mulan grudou contra a parede do castelo.
Havia sido por pouco: se Harry a tivesse visto, ela estaria perdida. Entretanto, ela ainda precisava se afastar, pois estava perigosamente perto da porta de entrada e só não conseguia ouvir seus amigos devido ao forte rugido do vento.
Ela novamente pôs a mão em seu abdome, a dor retornando com vigor total diante do frio. Agarrando-se melhor ao seu casaco, Mulan tomou seu caminho, andando com dificuldade pelo vento rumo a algumas árvores ao norte, nas quais conseguiria se abrigar tanto da fúria da natureza quanto dos olhos de Harry.
Ela tinha de ser rápida, mas a nevasca estava intensa demais, ameaçando congelar-lhe os ossos. Subitamente, ela escorregou e caiu na neve, sendo arrastada pelo vendavam alguns metros para trás antes de conseguir firmar-se.
“Não!”, ela pensava, mas estava cansada demais, de modo que seu corpo apenas conseguia focar em se proteger do frio e do castigo do vento.
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– Pare a tempestade! – Harry pediu a Jack Frost. – Por favor! Ela não pode enfrentar isso sozinha, fraca do jeito que está.
Jack olhou para ele alguns instantes, captando toda a preocupação do mundo em seus olhos.
Subitamente, com um gesto da mão, a ventania começou a diminuir.
Harry imediatamente correu para a entrada.
– Espere! – Elsa gritou.
– Eu não vou esperar! – ele falou. – Preciso ir atrás dela!
– Isso não faz sentido nenhum. – ponderou Louis. – Porque ela fugiria assim?
– Alguma coisa deve estar errada. – Taylor respondeu, a expressão séria.
– Exatamente. – falou Harry. – E eu vou descobrir o que é.
– Espere! – Elsa falou novamente.
– Madame, eu sinto muito, mas... – Harry começou a falar, mas Elsa mexeu as mãos e um brilho azulado envolveu o rapaz, transformando suas roupas.
Subitamente, Harry estava vestido com roupas quentes e fofas apropriadas para andar na neve.
Sorrindo, ele dirigiu um olhar de agradecimento a Elsa antes de sair correndo pela porta da frente.
Louis e Taylor se entreolharam, depois olharam para Elsa.
Com um estalo de dedos, a rainha de gelo os fez ficar adequadamente vestidos para sair no frio.
– Obrigado! – ambos agradeceram, correndo também para a entrada.
– Calma lá, cavalheiros! – Jack os chamou.
Na porta, Louis e Taylor se viraram.
– Vamos pegar uma carona? – Jack perguntou, sorrindo.
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Subitamente, a nevasca parou e a tempestade cessou. Mulan aproveitou a deixa para levantar rapidamente, sem perder nenhum segundo sequer.
Em seguida, ela começou a correr na direção das árvores. Em cerca de dois quilômetros, ela chegaria até a pequena inclinação que desembocava na floresta de coníferas, onde poderia parar alguns instantes para pensar no que fazer para deter aquele maldito duende.
A chinesa já se levantava quando ouviu uma voz não tão distante quanto ela gostaria.
– Mulan! – era Harry.
Com forças redobradas, ela nem percebeu quando começou a correr desesperadamente para frente. A adrenalina encobriu momentaneamente sua dor e ela disparou rumo às árvores, as botas escorregando na neve e tornando a subida muito mais desgastante.
Harry a perseguia com afinco. Estava em melhores condições do que Mulan, mas a neve escorregava sob seus pés da mesma maneira que sob os dela. Além disso, a chinesa ainda possuía um considerável vantagem à frente, embora Harry pudesse ver sua figura claramente, correndo montanha acima.
“Por que ela está fugindo?”, ele pensava entre uma escorregada e outra. “Isso não faz sentido”.
Motivado, ele apertou o passo.
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Mulan chegou à margem da floresta em dez minutos de corrida. Ela não podia olhar para trás para ver onde Harry estava. Caso contrário, estaria assinando o túmulo dele.
Ela parou, recostando-se em um tronco para recuperar o fôlego por alguns instantes. A floresta à frente se condensava, contendo toda a claridade da neve da montanha.
– MULAN! – ela escutou novamente, mais perto do que gostaria.
A chinesa correu pelas árvores, indo a esmo para qualquer direção. Precisava despistar Harry, não importava o que acontecesse. Aquela era sua prioridade.
Ela bateu em um ou dois troncos, tropeçoi, levantou-se e voltou a correr. Permaneceria assim por ainda muito tempo se, de repente, ao chegar a uma espécie de clareira, um campo de força gigantesco não tivesse eclodido do epicentro do espaço, erguendo seu corpo no ar e lançando-a de costas a um tronco espesso e duro.
Ela gemeu e ficou sem ar, incapaz de gritar de dor.
Quando seus olhos se abriram, à frente dela, o duende se manifestara. Ele caminhava em sua direção e estava furioso.
– O que acha que está fazendo?! – bradou. – Temos um trato.
Mulan não tinha forças para responder. Sua visão estava turva e ela começou a apagar.
– Não, não, não, nem pense nisso, meu bem! – o duende estalou os dedos e Mulan foi inundada por uma energia calorosa. Sua dor nas costelas cessou e a tontura passou. Subitamente, ela sentia-se melhor do que nunca. – Agora sim. – continuou a criatura. – Você está apta a realizar os serviços que me deve.
Mulan levantou-se do chão. O campo de força derretera a neve da clareira, restando apenas as folhas molhadas das árvores caídas no solo.
– Eu não posso lhe pagar essa dívida. – ela disse. – Eu imploro, peça-me qualquer outra coisa!
– Já tivemos essa conversa antes, queridinha... – ele balbuciou, cínico. – É isso o que eu quero, e não há mais nada que você possa fazer. Você vai colocar os olhos em Harry e vai matá-lo. Não há nada que você possa fazer quanto a isso.
Mulan colocou a mão no cabo de sua espada à sua cintura.
– Então não há o que fazer. – ela disse, imediatamente fazendo um movimento com uma velocidade descomunal para cima do duende.
A espada deslizou da bainha e cortava o ar certeira rumo ao pescoço da horrenda criatura. A arma, no entanto, travou a meros três centímetros da garganta de seu alvo.
Chocada e abalada pelo impacto da interrupção, Mulan cambaleou, recobrando o equilíbrio e desferindo outro golpe. Este, contudo, da mesma forma que o primeiro, foi interrompido a centímetros da vítima.
– Tsc, tsc, tsc... – falou o duende com uma careta de reprovação, observando o suor pingando do rosto de Mulan apesar do frio, devido ao esforço com que tentava quebrar a estranha barreira que a impedia de completar seu intento. – Você não pode, minha cara. Estou protegido. – magicamente, ao lado do duende, apareceu então o contrato selado entre ele e Mulan. – Você deu sua palavra, e não pode me ferir até finalizar o acordo. Está nos termos.
Mulan soltou um rugido de ódio e caiu para trás, liberando os membros tensionados.
– Não adianta chorar, minha cara... – falou o duende, escarnecendo dela. – Oh, olhe, acho que terei meu pagamento dentro de instantes... – ele terminou de repente, simultaneamente ao ruído de passos pisando nas folhas molhadas na clareira.
– Mulan! – Harry gritou, aproximando-se dela.
A chinesa, caída ao pé de um tronco, cobriu os olhos e escondeu o rosto. Harry correu até ela e, ao vê-la encolher-se, desembainhou a espada e virou-se para o duende, que estalou os dedos.
– Quem é você?! – disse Harry, empunhando a arma na direção da criatura. – O que fez com ela?! – Harry estava confuso, mas a cena lhe instigava à desconfiança daquele ser estranho e de pele brilhante.
– Eu?! – o duende riu. – Oh, meu caro, não se preocupe, eu não sou uma ameaça. Sou um velho amigo de Mulan... Pode perguntar para ela, sei que vai ter uma excelente resposta... – ele riu, dando um passo para a frente.
– Afaste-se! – Harry ordenou.
– Ok, ok, ok... – o duende estendeu as mãos, pedindo calma. – Para comprovar que eu não sou uma ameaça, vou me afastar calmamente de você. Um, dois, três... – ele começou a contar os passos, andando para o outro lado da clareira.
Harry manteve a arma erguida até o duende se afastar cerca de vinte metros. Depois, ainda olhando de frente para ele, abaixou-se e pôs a mão no ombro de Mulan.
– Mulan... O que está acontecendo?
Mulan abriu a boca para responder. Iria dizer a Harry que ela não poderia olhar para ele, caso contrário teria de matá-lo; dizer-lhe que saísse dali o mais rápido possível. Sua voz, no entanto, falhou.
E falhou outra vez.
Alarmada, a chinesa, trêmula, percebeu que sua garganta não produzia som algum. Olhando ainda para baixo, ela tentou gritar, sem sucesso. Lembrou-se, então, do estalar de dedos do duende no instante em que Harry adentrara a clareira.
O maldito a havia silenciado.
Agora não havia como avisar Harry do perigo que o espreitava. Para a criatura maquiavélica do outro lado da clareira, não poderia haver coisa melhor, principalmente quando seus planos começaram a funcionar.
Harry, preoucupado com a falta de uma resposta, desviou sua atenção para a chinesa.
– Mulan? Por que não responde?! O que está havendo? – o pobre rapaz estava angustiado. – Por que está se escondendo? Ele fez algo a seu rosto?
Ansioso por uma resposta, Harry puxou o rosto de Mulan.
– Olhe para, mim, querida! – ele disse. – Por favor! – seu tom era quase suplicante.
Mulan cerrou os olhos com muita força, tentando empurrar Harry para trás, enquanto ele segurava seu rosto e o virava para si.
– Mulan, olhe para mim, por favor! – ele pedia desesperadamente.
Mulan não conseguia se livrar do aperto. Não se recordava de Harry ser forte daquela maneira, mas, se ele realmente a amava, talvez estivesse retirando forças de seu sentimento.
Ela se preparou para empurrá-lo, mas não enxergar nada dificultava a ação. Encontrou o peito dele e forçou as duas mãos para frente, sentindo uma solidez que não imaginava que Harry poderia possuir. O movimento, todavia, foi em vão, e a força de Harry a trouxe para mais perto.
Ela se preparava para chutar-lhe entre as pernas quando ouviu. Na realidade, ela sentiu, mais do que ouviu.

O impacto nas costas de Harry ecoou até os ouvidos de Mulan. Instantaneamente, ela abriu os olhos, um suspiro de terror saindo de seus lábios. Ao olhar para Harry, os olhos do rapaz estavam estáticos e vidrados. Ela se afastou dele vagarosamente, e Harry caiu no chão, um pedaço de madeira  atravessado em suas costas.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Capítulo 71 - Mulan fugiu

Capítulo 71 – Mulan fugiu

Mulan esperou que o homem que acabara de entrar passasse para a sala lateral na qual se encontravam Harry, Louis e Taylor. Quando ele abriu a porta, ela virou o rosto para o lado.
A voz de Harry soou mais forte, apertando o coração da jovem como nunca. Uma lágrima escorreu pelos olhos dela, mas Mulan rapidamente a enxugou e retomou o controle de seus sentimentos.
“Você precisa sair daqui, Mulan.”, pensou. “Precisa sair e encontrar uma forma de deter aquele duende esquisito e idiota. Por Harry”.
Os pensamentos dela aumentaram-lhe a coragem e, assim que ela ouviu a porta do salão se fechar, virou-se novamente.
A chinesa observou os arredores: à sua direita, uma bela e ampla escadaria conduzia até o andar de baixo, diretamente para o piso da porta que a levaria de volta às montanhas.
Pé ante pé, ela desceu os degraus. Mais uma vez agradeceu por suas botas. Elas não produziam nenhum ruído sob o peso de seu corpo leve e esguio. A dor que sentia ainda era lancinante, mas ela era uma mulher forte e determinada, capaz de superá-la para enfrentar a ameaça daquele idiota pequeno e estranho.
Mulan finalmente chegou ao piso inferior. Ela tentou se apressar, mas a dor ainda era muito forte em seu abdome, de forma que o máximo que ela conseguiu foi trotar até a saída, mancando com uma das pernas.
Ela chegou à porta. Um gancho se projetava de cada parte da porta dupla, e ela logo fincou suas mãos nele, abafando um gemido de dor.
A chinesa percebeu que aquele seria um momento de grande provação. Com todas as suas forças, ela inclinou corpo para trás, e puxou o gancho da porta esquerda, muito mais pesada do que ela poderia imaginar, talvez porque de fato fosse pesada, talvez porque Mulan estivesse enfraquecida.
Ela lutou contra sua dor, mas não obteve sucesso, deixando-se cair e abraçando a si mesma. Mulan emitiu um pequeno gemido de dor e mais lágrimas brotaram de seus olhos.
“Você não pode desistir.”, ela pensou, depois de alguns segundos. “Não agora”.
Com dificuldade, ela se ergueu novamente e pegou no gancho outra vez.
“Vamos lá garota.”, tentou incentivar-se. “1... 2... 3!”.
E assim ela empreendeu toda a motivação de sua alma rumo àquele objetivo.
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Jack Frost entrou na sala onde estavam Harry, Taylor, Louis e Elsa.
– Oh, Jack! – Elsa falou, sorrindo para o marido. – Você voltou! – ela estava reluzente de felicidade. Rapidamente, correu até Jack e o abraçou calorosamente, por mais gelados que os dois inerentemente pudessem ser.
Louis sentiu um forte aperto em seu coração, lembrando-se de Eleanor. Harry sentiu-se da mesma forma, pensando em Mulan.
– Olá, querida... – falou calmamente Jack Frost, alisando os cabelos da esposa e beijando-lhe a testa. – Olá a todos vocês, também! – disse, dirigindo-se a todos os demais presentes. – Sou Jack Frost, senhor deste castelo ao lado de Elsa. É um prazer recebê-los em minha casa.
Taylor, Harry e Louis fizeram uma pequena reverência diante da lendária figura.
– É uma honra conhecê-lo, senhor Frost! – Louis falou com seriedade.
– Eu sempre esperava ansiosamente por sua vinda! Todos os anos! – alegrou-se príncipe Taylor, sorrindo e trazendo à tona sua criança interior.
– Eu sempre te odiei. – Harry falou simplesmente.
Louis deu uma forte cotovelada em Harry, que gritou de dor.
– Perdoe meu amigo, senhor Frost. – disse o cavaleiro gravemente. – Ele é um idiota.
Jack sorriu, apaziguando os ânimos.
– Não há com o que se preocupar. – disse ele. – Mas, diga-me, porque essa hostilidade quanto à minha pessoa? – perguntou a Harry, curioso em relação à resposta.
– Ah, você sabe... – Harry falou, esfregando as costelas e lançando uma carranca a Louis. – Você levava o inverno todas as vezes e eu ficava privado durante meses das curvas das jovens donzelas de meu vilarejo natal...
Louis deu um tapa em seu próprio rosto. Taylor suspirou. Jack e Elsa se entreolharam e riram, divertidos.
– Eu não gostaria de ser sua esposa nem em um milhão de anos. – Taylor comentou. – Como pretende conquistar Mulan dessa forma?
– Tenho meu charme natural e... – Harry começou, mas Jack o interrompeu.
– Quem é Mulan?
– Ah, querido... – Elsa explicou. – Esses jovens foram atacados pelos Yetis da montanha, juntamente com Gandalf e outra jovem chamada Mulan, que estão desacordados em um de nossos aposentos. Cuidei deles antes de descermos, mas a situação de ambos ainda é relativamente preocupante, principalmente a de Gandalf.
– Gandalf, nosso amigo mago Gandalf? – ele perguntou, incrédulo.
– Receio que sim, senhor Frost. – Louis falou, explicando em poucas palavras o que os levara a subir as montanhas geladas daquela região da Irlanda.
– Flack?! Vocês estão falando sério?! Horcruxes?! Quem poderia imaginar?!... Quantos ela deve ter matado... – até o próprio Jack Frost parecia surpreso e apreensivo. – Como não percebemos a presença dela, querida Elsa, bem debaixo de nossos narizes?!
– Ela deve ter criado algum novo feitiço de proteção. – conjecturou Elsa. – Afinal, sabe que estamos aqui e tem noção do poder que possuímos. Certamente foi bastante precavida.
– Ainda assim... – ele franziu o cenho. – Isso é muito estranho. Deveríamos ter sentido uma mágica das trevas forte como a dela.
– Está tudo bem, senhor Frost. – Taylor declarou. – Sua esposa deve estar certa.
– De fato... – Jack falou, mais para si mesmo que para os outros. De repente, pareceu despertar de seus devaneios. – Querida, porque não oferece uma xícara de chá à jovem Mulan?
– O quê? – Elsa franziu o cenho. – Ela estava repousando no quarto, querido. Deixei-a junto com Gandalf.
– Eu imaginei, mas é que há alguém na sala ao lado. Estou ouvindo seus passos pelo gelo. Pelo peso, imagino ser uma mulher pequena e esguia. Espere... Estou ouvindo mais... Ela está com dor... Está tentando abrir a porta que leva às montanhas.
– O quê? – Louis estranhou. – Porque ela faria isso?
– Óbvio! – Harry praticamente voou até a porta. – Ela está tentando nos encontrar. Mulan! – ele começou, animado, abrindo a porta dupla para o grande salão. – Essa é a porta errad...
Mas tudo o que ele viu foi a parte esquerda da porta aberta.
Um vento frio cortante entrava no grande salão pela abertura. Ao chão, neve invadia um pedaço do piso de gelo límpido e polido, e era possível ver pegadas deixadas recentemente na alvura do aglomerado de flocos de gelo.
Harry correu até a entrada e olhou para fora. Nevava muito, e as pegadas de Mulan fora da proteção do castelo estavam já encobertas devido às forças da natureza.
– Não! – ele gritou, desesperado, virando-se para Louis, Taylor e o casal Frost, que chegavam atrás dele. – Mulan fugiu!
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– Eu não acredito que estamos mesmo coletando moedas de ouro. – Liam estava pasmo. – Não é possível que essa baboseira toda de duende do pote de ouro seja verdade.
– Então como você explica toda essa trilha de moedas? – disse Niall, recolhendo a vigésima moeda e se embrenhando cada vez mais pelo caminho do bosque.
– Alguém deve estar tentando nos enganar! E se for obra de mais uma bruxa, Niall?!
– Não é. – disse o loiro. – Eu tenho certeza. Ei, olhe! Ali está mais uma! – o ferreiro correi até ela. – Aqui, Liam, segure-as, por favor. – disse, fazendo um pequeno saco com sua blusa de frio. – Pronto, pode colocá-las aqui agora.
– Niall, estamos nos afastando demais de Swift. – Liam olhou para trás. A mata se a adensava cada vez mais, e o fazendeiro não admitiria, mas perdera a noção de espaço, e não saberia mais voltar pelo caminho de onde viera.
– Liam, confie em mim. Eu sinto que... De alguma forma... Estamos indo até onde precisamos ir.
– Então porque não vemos nem mesmo pegadas? Porque apenas as moedas de ouro?
– E eu vou saber?! Fique quieto, está me desconcentrando. Já disse, confie em mim apenas uma vez na vida.
Liam fechou os olhos. Ele não gostava do que estavam fazendo, mas resolveu dar o voto de confiança ao amigo, que parecia ter recuperado o vigor perdido até poucos minutos atrás.
Niall analisava cada pedaço do chão com cuidado e cautela, de forma que não estava olhando para frente.
Foi exatamente por esse motivo que Liam viu aquilo primeiro.
– Niall...
– Espere, Liam! – disse o loiro, concentrando-se no chão. – Ah, aqui! Achei mais uma! – ele sorriu, correndo e pegando mais uma moeda.
– Niall...
– Liam, pare, por favor! – Niall percorreu o chão com os olhos mais uma vez. – Estou com a intuição muito forte, já disse!
– Niall!
– LIAM! QUER PARAR, POR FAVOR?! EU NÃO SOU ASSIM TÃO ESTÚPIDO! EU PRECISO... – ele respirou fundo. – Preciso de uma esperança! – falou, erguendo-se do chão e encarando o amigo com lágrimas nos olhos. – Se eu não encontrar o duende, eu... Eu me sentirei um inútil, idiota e incompetente completo. Por favor... – suplicou ao amigo, os olhos azuis marejados lutando para conter o fluxo de água.
Ao focalizar o rosto do amigo, porém, Niall ficou confuso.
– Eu acredito em você. – falou Liam, a expressão ligeiramente pálida e os olhos esbugalhados, olhando para algo além de Niall.
– O-o quê? – o ferreiro franziu o cenho, recompondo-se.
Como resposta, Liam apontou para a frente.
Niall virou seu rosto para trás, na direção apontada pelo dedo de Liam. E então seu queixo caiu.
A dez metros dos dois, as árvores do bosque se abriam numa clareira. Nela, a luz do sol iluminava uma pequena criatura flutuante que os observava, atraído pelos gritos de Niall.
Era uma criatura pequena, de orelhas pontudas e rosto quadrado com definições duras, que segurava uma espécie de vaso dourado em sua mão esquerda. Sua pele era cinza, dois dentes se projetavam de sua mandíbula inferior, e ele usava um chapéu verde, uma camiseta amarela com golas brancas, e uma calça verde-musgo até a cintura amarrada por um cinto marrom de fivela muito grossa. Quanto aos sapatos, faziam um pequeno caracol na ponta e também eram marrons.
Atrás da estranha figura, uma coisa branca e fofa planava muito próxima do chão. Do centro dela, uma faixa translúcida com sete cores diferentes se angulava para o alto e descrevia uma curva até se perder de vista no infinito do céu.
– Liam...

– Você encontrou, Niall! Você achou o duende do pote de ouro!


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Oi, gente, tudo bem?!
Depois de muito tempo, eu estou aqui pedindo desculpas a todas as minhas leitoras. Já estava planejando retomar meus escritos essas férias, pois estava em débito com todas as pessoas que acompanhavam minhas narrativas.
A vocês, minhas mais sinceras desculpas.
Pretendo definitivamente terminar a fanfic agora. A fic está bastante desatualizada com a relaidade, mas vou seguir com alguns de meus planos originais.
Gostaria de agradecer à Tália, que, mesmo com meus planos para retornar, foi crucial para me dar o empurrão de motivação necessário para que isso acontecesse.
Obrigada. :)
Espero que tenham gostado do capítulo e podem ficar ligadas, porque não vai demorar para ter mais!

Um beijão.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Capítulo 70 – Entre fugas e desolações

Capítulo 70 – Entre fugas e desolações


                Mulan escutou a respiração de alguém no quarto e seu coração se apertou. Ela estava deitada em uma cama macia, porém seu corpo estava voltado para uma parede, de forma que ela não viu quem dividia o espaço do aposento consigo.
                Sua mente estava em atividade frenética: pensava no duende, no acordo feito semanas antes, no sonho, no pagamento exigido pelo líquido que destruía as orcruxes.
                Matar Harry. Em um segundo, a frase que pairava de um lado para outro de seu cérebro passou a tomar conta dele todo.
                Não poderia mata-lo. Ela... Ela o amava. Quer quisesse admitir ou não, aquela era a verdade. Apaixonara-se por aquele idiota paspalhão inconsequente e  galanteador...
                Mulan voltou a si. As últimas palavras do duende retumbaram por seus ouvidos, altas e claras: “Quando você acordar, à primeira visão de Harry, você o atacará impiedosamente e o matará.”
                Não. Ela não poderia. Nunca, jamais. Mas... O que fazer?
                “Você precisa sair daqui, Mulan.” – pensou.
                A chinesa não se virou. Alguém ainda respirava, e ela não poderia se dar ao descuido de arriscar ser Harry. Vagarosamente, ela escorregou para fora da cama, arrependendo-se logo em seguida.
                A dor no abdome foi tão intensa que ela não conseguiu evitar arfar. Colocando uma mão sobre a região, ela percebeu que estava enfaixada por baixo de uma camisola fina de seda branca. Estranhamente não sentia frio, mas nada parecia fazer sentido naquele instante. Não sabia onde estava, nem como chegara ali. A única certeza que tinha em mente naquele instante era que não podia ver Harry de jeito nenhum, e que precisava escapar para pensar com clareza em algum plano que pudesse fazer com que o destino de seu amado mudasse.
                Será que Harry estaria por ali, naquele lugar? Ela não sabia, mas não poderia correr o risco da incerteza.
                Mulan se levantou, sufocando alguns gemidos de dor. Ela apertou algum ponto de pressão seu corpo para aliviar um pouco da dor e ergueu a coluna.
                Observou o pouco que podia olhar sem que pousasse os olhos em alguém que, sem dúvida, estava a sua direita, deitado em outra cama.
                Em frente à cama onde estava deitada, havia um baú. Mulan foi até ele, abrindo-o cautelosamente. Lá, roupas diversas estavam dispostas: vestidos, túnicas, camisolas e camisas finas e... Uma calça de tecido reforçado e um majestoso casaco azul e branco específico para neve.
                Sem hesitar, ela tirou silenciosamente a camisola e colocou as roupas que selecionara.
                Um segundo depois, já estava fora do quarto.
                Mulan observou os arredores. Tudo parecia ser feito de gelo, porém nada era frio. Encontrava-se em um corredor que dava uma volta circular, prosseguindo para sabe-se lá onde, dos dois lados.
                “Para onde devo ir?”, pensou.
                Resolveu escolher sua direita. Até o momento, tudo se encontrava deserto, e o silêncio era cortado apenas pelas batidas de seu coração. As botas fofas e quentes que usava amorteciam o barulho de seus passos, e Mulan agradeceu por isso.
                Ela continuou andando por pouco tempo até que o corredor se abriu para um amplo espaço que continha uma escada, a qual conduzia para um imenso e belíssimo salão arredondado com decoração esplendorosa.
                A chinesa não conseguiu evitar que sua boca se abrisse por alguns poucos segundos, até ouvir um conjunto de vozes que se elevava do andar de baixo, abafadas, porém, por se encontrarem atrás de duas amplas portas do lado esquerdo do salão.
                Despertada de seus devaneios, ela entrou em alerta. O salão abaixo parecia vazio, apesar das vozes em outro cômodo perigosamente próximo. Ela reconheceu três das quatro: Taylor, Louis e... Harry.
                “Então, é aí que você se meteu...”, pensou.
                A jovem já se preparava para voltar por onde viera, quando uma outra porta se abriu, do lado direito do salão.
                Mulan se abaixou, escondendo-se atrás de um pilar, e observou quando um rapaz de cabelos brancos e rosto simpático, que segurava um cajado, entrou no recinto.
                Contudo, não foi o desconhecido que lhe chamou a atenção. Não lhe importava o nome dele, nem a cor de seu cabelo. Foi a paisagem recortada pela porta que encheu seu coração de alivio: ela viu, claramente, a nevasca do lado de fora.
                Aquela passagem a levaria de volta às montanhas.
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                - Saldo da nossa missão de resgate: uma estátua de uma bruxa terrível, três donzelas e uma vila inteira salvas... – começou Niall.
                - Um amigo cego e um espelho quebrado, que nos impede de reencontrar nossos companheiros... – terminou Liam.
                - Valeu a pena?
                - Um grande poeta disse uma vez que tudo vale a pena, se a alma não é pequena. – respondeu Liam ao amigo.
                - Ele deve ter razão... – o loiro continuou. – Mas por que me sinto péssimo?
                Os dois suspiraram. Estavam do lado de fora do hospital da vila, agora tão cheia de vida com a quebra da maldição. Entretanto, apesar do sucesso de parte da missão, não conseguiam parar de pensar em Zayn.
                Uma senhora saiu de dentro da pequena casa que funcionava como hospital, trazendo notícias depois de pelo menos seis horas de “internação”.
                - Rapazes... – ela disse, os olhos baixos. – O médico de Príncipe Lanza disse que fez o que podia para amenizar a dor de Zayn, mas que não há nada que ele possa fazer quando ao fato...
                - De ele estar cego? – Disse Niall.
                A senhora abaixou a cabeça.
                Niall se levantou, irritadiço. Maldita Taylor! Não adiantava que estivesse vivendo um destino terrível de morte lenta e claustrofóbica, aquilo não adiantava para seu coração perder a raiva e o ódio que se entupiam em suas veias.
                Ele começou a andar rumo a uma parte do bosque, pisando duramente no chão.
                - Niall! – Liam o chamou.
                Como o amigo não respondeu, o fazendeiro cumprimentou a mulher com um aceno de cabeça, agradecendo-a pela informação, e seguiu Niall.
                A senhora olhou os dois se afastarem até ficarem ocultos pelas árvores do bosque, entristecida.
                Voltou para auxiliar o médico a cuidar de Zayn, só saindo alguns minutos mais tarde, quando uma jovem mulher, de nome Marion, foi substituí-la em seu turno.
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                - Niall, acalme-se! – Liam, disse, exasperado, tentando alcançar o amigo que se embrenhava cada vez mais pelo bosque. – Niall! NIALL!
                Ao ouvir o grito, Niall parou. Liam também parou, observando as costas do amigo.
                - Qual é o problema, Niall? – Liam disse, a voz mais calma.
                O loiro começou a responder em um tom bastante agressivo.
                - Qual o problema? QUAL O PROBLEMA?! O PROBLEMA É QUE, O TEMPO TODO, SOMOS ATACADOS POR ESSAS BRUXAS NOJENTAS QUE ACHAM QUE O MUNDO É DELAS! SOMOS SERES INSIGNIFICANTES QUE NÃO PASSAM DE MARIONETES NAS MÃOS DESSAS MALDITAS! ELAS BRINCAM CONOSCO E, QUANDO SE CANSAM, NOS JOGAM FORA COMO SE O PESO DE NOSSAS VIDAS FOSSE SEMELHANTE AO DE BONECAS DE PANO!
                Liam se assustou com o tom usado pelo amigo. Mesmo assim, ele caminhou vagarosamente até ele, pondo a mão em seu ombro.
                Quando fez isso, lágrimas começaram a rolar pelos olhos de Niall e, em pouco tempo, ele chorava tanto que chegava a soluçar.
                - Desculpe. – disse, entre lágrimas. – Você não tem nada a ver com isso.
                - De fato. – Liam respondeu. – Mas entendo perfeitamente como você se sente.
                - É só que... – Niall enxugou os olhos. – Parece que eu acabei de ter um choque de realidade. Até há pouco, lutamos e nos ferimos, mas também vencemos, sem danos significativos a qualquer um de nós... Mas então... Zayn... ele... – Niall soluçou outra vez. – Desculpe.
                - Você é uma pessoa muito boa, Niall, e sei que seu coração puro ainda será recompensado por carregar tanta bondade. – Liam disse, para reconforta-lo. – Não precisa se envergonhar. Está chorando de raiva, frustração e tristeza, por saber que seu amigo não recuperará mais a visão. Em seu coração, sei que desejaria mil vezes que fosse você e não Zayn.
                - Foi só agora, Liam, que eu percebi que nós somos feitos de carne. Parecia que nada poderia nos abalar.
                - E nada poderá, se não permitirmos.
                Niall sorriu.
                - Você está certo, como sempre. Mas, além de Zayn, temos ainda outro problema: como faremos para nos reencontrarmos com Louis, Harry, Taylor, Gandalf e Mulan? Não temos mais o espelho.
                - Isso é algo em que tenho pensado muito também, meu amigo.
                - Ah! Como eu queria voltar no tempo e pensar em outra forma com a qual poderíamos ter salvado as princesas, Rapunzel e a vila, sem estar com Pe. Lanza murmurando nos nossos ouvidos o quanto ele é maravilhoso e bravo por ter atordoado Taylor. Uma forma com a qual pudéssemos ter evitado a cegueira de Zayn e ainda ter mantido o espelho intacto!!! – Niall elevou a voz, voltando a ficar irritado, e deu um chute no chão.
                Nesse instante, algo pequeno e dourado, com um barulho tilintante, voou na direção de alguns arbustos adiante dos dois amigos.
                - O que foi aquilo? – Perguntou Liam.
                - Parece que eu chutei alguma coisa. – Niall franziu as sobrancelhas, abrindo caminho rumo à direção dos arbustos.
                Liam o seguiu.
                Niall se abaixou no lugar onde vira o objeto cair e abriu a folhagem das plantas, encontrando diante de si uma reluzente moeda dourada.
                - Mas o quê...?
                - Niall, o que é isso?
                - Parece... Parece uma moeda... De ouro!
                - Como é que é?
                Niall pegou a moeda e alisou-a com o dedo. Em seguida, ele a lambeu.
                - Definitivamente, é ouro.
                - Você sabe dizer se algo é de ouro pelo gosto? – indagou Liam.
                - Não seja bobo. – disse. – Eu sei pela coloração, pela textura e pelo peso. Todos os irlandeses sabem.
                - Então por que você a lambeu?
                - Porque eu quis, ora.
                Liam fez uma careta, mas resolveu ignorar Niall.
                - Mas que sorte a nossa! Talvez, com essas moedas, consigamos alguns cavalos. Assim poderemos alcançar mais depressa Louis, Taylor, Harry, Mulan e Gandalf.
                - NÃO! – Niall se exasperou de repente. – Não podemos fazer isso.
                - Hã? Por que não?
                Niall bufou.
                - Você definitivamente não é irlandês. Nunca ouviu falar dos duendes dos potes de ouro no fim do arco-íris?
                - É claro que já ouvi. Mas isso é ridículo! Você não está pensando que...
                - É exatamente isso que estou pensando. Isso não nos pertence. Temos que devolver ao seu verdadeiro dono.
                - Você só pode estar de brincadeira!
                - Liam! Não podemos pegar para nós! Não é nosso. Além disso, se não devolvermos, os duendes podem ficar bravos conosco.
                - Oh, tudo bem então. Vamos devolver ao senhor duende, certo? Tem só um probleminha: ELES NÃO EXISTEM!
                - Como você sabe?
                - Você está vendo algum duende por aqui, Niall? Aliás, você já viu algum duende em toda a sua vida? – Liam perguntou, sarcástico.
                - Aposto que você também não acreditava magos, espelhos mágicos, enfim...
                Liam teve que ficar quieto. Aquele era um excelente argumento, por sinal.
                - Tá, mas então, se duendes realmente existem, onde encontraríamos um pra devolver uma moeda que não sabemos nem há quanto tempo pode estar aqui?
                - Simples. – Niall respondeu, sorrindo, se inclinando mais para frente e mexendo em outras folhagens. Aos olhos de Liam, um segundo brilho dourado reluziu. – Seguindo a trilha que ele acidentalmente deixou.
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Oi, gente, há quanto tempo, não?!
Nem sei se alguém ainda lê o que eu escrevo, mas, eis aqui a continuação da história.
Perdoem-me pelo tempo que fiquei fora.
Pretendo voltar a postar regularmente.
Continuo com um comentário.

Bjs J

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Capítulo 69 – À Mercê das Vontades Alheias

Capítulo 69 – À Mercê das Vontades Alheias

                - Tá bom, deixa eu ver se entendi... Quer dizer que você e seu marido podem controlar o gelo, e que essa é a fortaleza de vocês? – falou Harry.
                Ele estava mais calmo agora que Mulan estava sob cuidados médicos. Gandalf também estava sendo cuidado. Louis, Harry e Taylor haviam se reunido com a bela jovem de cabelos loiros e vestido azul da mesma cor de seus olhos.
- Aliás, qual é seu nome mesmo? – voltou a perguntar Harry.
- Elsa Frost. Eu e meu marido, Jack, passamos os invernos aqui desde que nos casamos.
- Mas não é inverno ainda. – Harry coçou a cabeça.
- Jack saiu para isso. Ele está trazendo o inverno para a Grã-Bretanha. A essa altura, já deve estar nevando na Inglaterra. Em poucos dias, aqui já estará bastante frio.
Harry ficou surpreso.
- Você e seu marido controlam o gelo??????? QUE IRADO!
- Depois de tudo pelo que passamos você ainda se surpreende, Harry, sério??
- Obrigado por nos alojar. – agradeceu Louis, ignorando os dois amigos – E, claro, por cuidar de nossos amigos.
- Por nada! Gandalf é um velho amigo meu. Nos conhecemos no casamento de Ana, minha irmã, e seu marido, Kristoff.
- Ana? Ela é bonita? – perguntou Harry.
- Você não ouviu a parte do “casada”, Harry? – falou Louis, envergonhado.
- Pensei que estivesse apaixonado por Mulan. – disse Taylor.
- Ah, eu sei! Força do habito, pessoal, foi mal.
- A propósito – continuou Elsa – Lamento por não ter deixado vocês entrarem antes. Não percebi que Gandalf estava com vocês... Sinto muito!
- Ah, tudo bem. Nós quase morremos sufocados e de frio. Por nada não.
Louis dá um soco em Harry.
- Todos os meus amigos, inclusive Gandalf, sabem a senha. Mas o enigma existe para impedir a entrada de desertores que querem me matar ou ao meu marido. Somos um casal cheio de inimigos. – Elsa mexeu na trança, sorrindo envergonhada. – Ah, que indelicadeza! Querem uma xícara de chá quente?
- Chá gelado, você quis dizer. – falou Harry, caindo em uma gargalhada profunda.
Louis e Taylor ignoraram a piada idiota. Louis deu outro soco em Harry.
- Aceitamos, Elsa, obrigado. – respondeu Taylor.
Todos se dirigiram a uma sala aconchegante onde foram servidos com xícaras de chá e alguns biscoitos deliciosos.
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Mulan acordou no meio de uma floresta. Ela se levantou um pouco tonta, mas não sentiu nenhum tipo de dor. Aos poucos, tentou se lembrar do que havia acontecido. Logo, as últimas imagens do que acontecera surgiram em sua mente. Os yetis estacaram a ela e a Taylor. A última coisa da qual Mulan se lembrava era de estar gravemente ferida, se arrastando pelo chão. Será que...?
- Estou... Morta?
Uma risadinha soou atrás dela.
- Poderia estar, minha cara. Mas, não. Está apenas em um doce sonho.
- Acho que não é tão doce assim, já que você está nele. – ela disse, olhando para o mesmo duende esquisito que tinha lhe dado o líquido para destruir orcruxes.
- Nossa, por que tanta grosseria? Eu poderia dizer que gostaria que você tivesse morrido na mão daqueles Yetis, mas estaria mentindo se não dissesse que estou relativamente feliz por estar viva.
- E posso saber o porquê dessa felicidade? – ela perguntou ameaçadora.
- Porque senão não poderia te cobrar sua parte da nossa transação.
Mulan engoliu em seco. Suas pernas bambearam. Ela havia se esquecido daquilo, mas não havia o que fazer. Sabia no que se metera quando fizera negócios com aquela criatura repugnante, e agora tinha que pagar sua dívida. Querendo ou não.
- Diga o que quer de mim.
- Ah... Eu resolvi cobrar bem baratinho para uma jovem bonita como você. – ele girou em torno do corpo de Mulan, analisando-a – Quero apenas uma vida. Mate aquele que você chama de Harry.
O coração de Mulan se apertou e seus olhos se arregalaram.
- O QUÊ?! Não posso fazer isso!!! Não sou assassina... Eu... Eu... Não posso matar Harry!!!
- Lamento, fizemos um trato.
- Dane-se o trato! Esqueça! Não farei o que você manda!
- Ah, querida... – o duende abriu um sorriso maligno – Você vai sim.
- Não pode me obrigar!!!
- Quer pagar pra ver?
- Peça-me qualquer outra coisa, por favor!
- Não, não, não. – balançou o dedo indicador da esquerda para a direita – Fizemos um pacto.
De repente, um pergaminho apareceu com a assinatura de Mulan.
- Está vendo? É o seu nome aqui. Você terá de cumprir com os termos!
- Por que você mesmo não mata quem você quiser? E por que tem que ser Harry? O que você quer com ele? – perguntou ela, desesperada.
- Isso não é problema seu. Agora você vai acordar e fazer o que eu lhe mandei.
- Esqueça!
- Está bem, então. Eu não queria que fosse assim, mas as circunstâncias me obrigam e seu nome no nosso contrato me permite que eu o faça. Quando você acordar, à primeira visão de Harry, você o atacará impiedosamente e o matará.
- O QUÊ?! NÃO! NÃO PODE FAZER ISSO! Não...
- Espero que acorde nos braços do seu amado, minha querida. Tenha um bom fim de sono. – ele sorriu, mostrando os dentes amarelados – Hasta la vista, baby. – ele estalou os dedos.
- NÃO! – ela gritou, ainda no sonho, mas era tarde demais.
Um segundo depois, Mulan acordou.
Havia alguém no aposento com ela.
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Oi, pessoal, tudo bem?
Eu sei que não estou postando, mas estou muito triste com esse fato, e existe um motivo para ele: Tendinite – não sei se se escreve assim.
Pois é, estou com muita dor e, até que eu melhore, não posso escrever nem desenhar. L
Mas, a Elo e a Elena me ajudaram e digitaram pra mim este cap.
Não está muito longo, mas espero que gostem. J
Bjs

domingo, 14 de dezembro de 2014

Capítulo 68 – Quebrando Barreiras

Capítulo 68 – Quebrando Barreiras


- MULAN! – Harry berrou, assim que a viu nos braços de Taylor.
Ele correu até ela, cambaleando pela neve.
- MULAN! NÃO! NÃO! – Harry finalmente chegou até Taylor, encostando o ouvido no peito da chinesa. Ele se desesperou quando, à princípio, não ouviu nenhum som. Contudo, logo depois, sentiu uma fraca batida.
                Ele levantou a cabeça, percebendo que sua mão, que estivera apoiada no abdome de Mulan, estava ensanguentada.
                - O QUE ACONTECEU? O QUE ACONTECEU? – Harry berrou. Ele estava à beira da loucura. – POR QUE VOCÊ NÃO A PROTEGEU?!
                - HARRY! – Louis gritou e, quando ele se virou, deu-lhe um soco.
                Recompondo-se, Harry assentiu, após um minuto de choque.
                - Obrigado. – disse a Louis.
                Os três voltaram para a pequena caverna na qual Louis e Harry haviam deixado Gandalf.
                Quando finalmente entraram na segurança que ela oferecia, Taylor apoiou Mulan no chão liso de gelo polido, próxima a Gandalf. Harry logo em seguida ajoelhou-se ao lado dela e segurou-lhe a mão, aflito.
                - Este é o abrigo? – Taylor perguntou, olhando em volta. Como o chão, as paredes da caverna eram de gelo liso, polido, de forma que todos podiam se ver refletidos. Ela tinha uma forma circular e não era profunda. Apesar de protege-los do vento, era ainda muito fria.
                - Foi a única que nós encontramos. – Esclareceu Louis, sem também considerar o local um abrigo dos mais eficientes.
                - Ela está muito gelada, Louis! – Harry disse, sentindo a temperatura da mão de Mulan. Ele estava à beira das lágrimas.
                Louis observou a caverna com mais cautela. A luz que vinha do lado de fora não a iluminava muito bem.
                - Que barulho é esse? – Perguntou Taylor.
                - Que barulho? – Harry indagou.
                Todos ouviram assim que ele terminou de falar.
                - Avalanche! – Louis.
                De repente, uma gigantesca quantidade de neve fez tremer o chão de gelo. Logo depois, a luz que vinha do lado de fora desapareceu à medida que a neve da avalanche cobria a entrada da caverna.
                Em um segundo, a escuridão tomou conta do ambiente.
                O desespero se alastrou por todas as cabeças conscientes, mas nenhuma foi capaz de emitir nenhum som.
                O coração de Louis se apertou. A escuridão o incomodava, e ele respirava com dificuldade. Ele deu alguns passos para trás, a fim de encontrar a parede da caverna para se orientar.
                Suas costas encostaram, finalmente, na superfície polida e gelada. E então uma luz surgiu.
                O gelo começou a brilhar, um brilho azulado que se alastrou por toda a superfície da caverna, iluminando-a.
                - Mas o quê...? -  o cavaleiro não terminou a frase. No teto, ele observou uma estranha inscrição que começava a se revelar por meio da luz.
“Sou igual a todos os que me veem, mas ao mesmo tempo não sou nada. Não sou tangível, mas meu poder se estende além do lugar onde me encontro. Quem sou eu?”
                - O que é isso?! – Louis perguntou, chamando a atenção de todos para o teto.
                - Parece um enigma. – Taylor respondeu.
                - Será que temos de responde-lo? – Harry franziu a testa.
                - Pela minha curta experiência, Harry, enigmas são feitos para serem respondidos.
                - Eu sei, Louis. O que quis dizer é, o que acontece se descobrirmos a resposta?
                - Eu não tenho ideia. – Respondeu o cavaleiro. – Mas, se não o fizermos, corremos o risco de não conseguirmos salvar Mulan.
                - Se não o fizermos, corremos o risco de morrermos, todos, sufocados. Vocês perceberam, não é? Estamos ficando sem ar! – Taylor falou, sério. – A neve está impedindo a passagem do ar.
                Louis e Harry concordaram.
                - Talvez destravemos alguma passagem para um ambiente aquecido, ventilado e com suprimentos. Precisamos tentar.
                - Mas não faz sentido nenhum! – Harry falou, se desesperando novamente ao ler o enigma pela segunda vez.
                - É um enigma, Harry. – Louis disse, andando de um lado para o outro. – A resposta deve ser bastante óbvia. Só precisamos nos concentrar.
                - Como vamos nos concentrar se estamos ficando sem ar?!
                - Podemos começar por você se acalmando e ficando quieto! – Louis respondeu, ríspido. O desespero de Harry não os levaria a lugar nenhum.
                “Vamos, Louis, pense.” – Ele dizia a si mesmo, mentalmente. Se ao menos Gandalf ou Mulan estivessem acordados! Eles eram os mais inteligentes do grupo.
                “Ah, Liam, Zayn e Niall, espero que estejam melhor do que nós.”
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                - Ele não está nada bem! – Liam falou, se ajoelhando com Niall ao lado de Zayn. Lágrimas de tristeza e aflição enchiam os olhos dos dois amigos.
                - Zayn... – Niall segurou a mão do amigo.
                O Gato de Botas estava irreconhecível. Não era um terço do ladino imponente, disposto, esbelto e belo que sempre fora.
                Suas pálpebras estavam fechadas, mas sangravam, e ele não se mexia, mas seu rosto ostentava uma aparência pálida de gente doente.
                Ele não conseguia chorar, e estava atormentado demais para conseguir falar alguma coisa.
                - Zayn... – Liam repetiu.
                - Deixem-me. – Ele conseguiu dizer, fracamente. – Quero ficar sozinho.
                - Mas... – Niall ia protestar, mas Liam o interrompeu.
                - Venha, Niall, você o conhece. Deixe-o sobre os cuidados dos soldados e do médico de Pe. Lanza.
                - Mas... – Niall queria protestar mais uma vez, mas compreendeu o que Liam dizia. Eles conheciam Zayn e, quando ele queria ficar sozinho, é porque queria ficar ficar sozinho. Simples assim.
                Os dois se afastaram, observando o médico de Pe. Lanza enrolar uma bandagem em volta dos olhos do amigo.
                Depois, os olhos deles caíram em Rapunzel. Ela arrastava os cabelos castanhos para o meio das árvores. Tinha pressa, mas a fraqueza a impedia de se locomover muito depressa. Tália e Gabriela a acompanhavam, tentando ajuda-la como podiam com o cabelo.
                Os dois seguiram na direção delas, acompanhando-as até o momento em que ultrapassaram as últimas árvores do bosque que as separavam de Swift. Ali, no limite do vilarejo, Rapunzel parou, levando a mão à boca, com lágrimas nos olhos.
                Swift estava irreconhecível. As casas estavam todas quebradas, e os cidadãos se movimentavam apagando fogo e socorrendo feridos. Não se ouviam gritos de criança, porque não havia nenhuma criança.
                Rapunzel prosseguiu o caminho, depois de alguns instantes, dispensando a ajuda das princesas com o cabelo gigantesco.
                Quando os cidadãos do vilarejo a viram, pararam, em choque.
                Ela continuou seu caminho, sem se ater às exclamações e aos murmúrios a seu respeito.
                Quando, finalmente, Joseph a viu, ele correu em direção a ela.
                - MINHA FILHA! – Ele gritou, chorando sem nenhum pudor.
                Ela abraçou o pai com a maior força que podia.
                O encontro comoveu a todos. Não havia uma única pessoa que tivesse parado suas atividades para ver os dois, com exceção de três homens, que saíram de repente de um recinto que pegava fogo.
                Eles carregavam uma pesada estátua de pedra, da altura de um homem, para tirá-la do meio das labaredas.
                Quando Rapunzel pousou os olhos na estátua, ela afastou-se do pai, indo até ela com uma expressão triste.
                Os homens apoiaram a estátua no chão no momento em que ela chegou até eles, que se afastaram em sinal de respeito.
                Rapunzel passou os dedos magros pelo rosto de pedra de Julian. Ela começou a chorar ainda mais, arrancando lágrimas de todos os que a observavam. Era uma pobre viúva, vítima de seu amor.
                - Julian... – Ela acariciou o cabelo de pedra. – Me desculpe por tudo... Eu... Eu te amo.
                E, dizendo isso, Rapunzel beijou os rústicos lábios de pedra.
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                - Hum, já sei! A resposta é Deus! – Harry exclamou, animado. – Não é tangível, somos sua imagem e semelhança e seu poder se estende além de onde se encontra!
                - Não pode ser Deus. – Taylor rebateu. – Nós não O vemos.
                - Mas aqueles que O veem... São iguais a Ele. – Harry tentou.
                - Não, Harry, não é Deus. – Louis falou. – Se fosse, algo já teria acontecido.
                - Se algo for acontecer.
                Louis ignorou o pessimismo de Harry e voltou a raciocinar. Por um minuto, ao pousar seus olhos e Mulan, seu coração se desesperou, mas ele lutou contra o pânico. Ele não o deixaria pensar.
                - Então é um desenho! – Harry tentou de novo. – Um desenho não é tangível, não é nada.
                - Um desenho tem poder, por acaso, Harry? E, se um desenho se chama desenho, é porque é alguma coisa. – Taylor disse.
                - Você fica colocando defeito em tudo o que eu falo, mas sugerir a resposta que precisamos você não fez ainda! – Harry retrucou, irritado.
                - Calado, Harry! – Louis repreendeu-o. – Obviamente não é um desenho.
                Harry ficou bravo, mas não havia tempo para curtir a raiva.
                - Poderia ser a palavra? – Ele tentou novamente.
                - Por que a palavra? – Taylor quis saber.
                - Ela soa igual aos ouvidos de todos, e não é tangível, é totalmente abstrata. Além disso, o poder da palavra é impressionante.
                - Sim, mas nós não vemos a palavra, Harry. – Louis observou.
                Harry bufou.
                “Vamos, Louis, pense.” – O cavaleiro falou mentalmente. Ele se esforçava ao máximo, mas sua respiração estava cada vez mais pesada, e o desespero o estava contaminando.
                Ele observou, por um segundo, sua imagem refletida no gelo límpido. Não acreditava que morreria daquele jeito, numa caverna, onde ninguém jamais o encontraria, e o pior: morrer sem salvar Eleanor.
                Seu coração doeu. Seu reflexo era o de um homem feito, bonito e aparentemente corajoso, como o que deixara o castelo de sua família com o objetivo de salvar o amor de sua vida, ou morrer tentando. Mas ele não era mais aquele homem. Estava com medo. Cansado.
                Harry percebeu a confusão do amigo.
                - Louis, pare de se culpar.
                - Não há como, Harry. Falhamos. E vamos morrer aqui. Eu sou um idiota.
                - Idiota, você? Obviamente, não.
                Louis bufou.
                - Não consigo nem mesmo responder a um enigma idiota! – Ele se controlou para não socar a parede da caverna.
                - Você é muito mais do que pensa, Louis! Você estaria procurando Eleanor até agora, sozinho, se não tivesse me encontrado, e estou certo de que não pararia de procura-la por nada nessa vida. Você me salvou, diversas vezes, mesmo quando nem me conhecia, e eu não passava de um vagabundo que não tinha mais ânimo de viver. Você deu uma vida nova a Liam! E a Niall! E você deu uma luz de esperança a Zayn! Você tem nos liderado nessa missão, que ajudou muita gente além de nós. Sua verdadeira natureza é refletida nas suas ações. Eu gostaria de ser, um dia, Louis, um terço do homem que você é!             
                Louis sorriu. As palavras de Harry acalmaram seu coração atormentado. Se eles morressem naquele momento, Louis morreria em paz, pois, de fato, fizera o possível e o impossível para resgatar Eleanor, e ajudara muitas pessoas, realmente. E se aquela fosse a sua missão na Terra, escolhida por Deus, ficaria feliz em ter sido ele o designado para cumpri-la.
                - Obrigado, Harry. – Ele sorriu, as palavras de Harry ainda retumbando em sua cabeça. – Espere! O que você disse?
                - Que eu gostaria de ser, um dia, um terço do homem que você é.
                - Não, não, antes disso!
                - Ah, sei lá, não lembro.
                - Ele disse que sua verdadeira natureza é refletida nas suas ações. – Taylor falou.
                - É isso!
                - Isso o quê? – Harry franziu o cenho.
                - A resposta!
                - Do enigma?
                - Sim!
                - Qual, Louis?!
                - O reflexo!
                - O reflexo?! – Taylor indagou.
                - Sim! Somos iguais ao nosso reflexo, mas ele é algo intangível, e não é matéria como nós, portanto não é nada!
                - Mas nosso reflexo não tem poder! – Harry exclamou.
                - Harry, foi você que acabou de dizer que tinha!
                - Como assim?
                - O reflexo é mais do que a imagem que vemos em uma superfície polida! Um homem se reflete nas suas ações, que podem transformar para o bem e para o mal! Esse é o poder que vai além do lugar onde se encontra! A resposta é reflexo!
                - Não pode... – Harry começou a dizer, mas parou quando um novo brilho surgiu na parede circular da caverna, um brilho que se moldou no formato de uma porta. E então, logo depois, a figura definida pelo brilho se afastou para trás, formando uma passagem, que emoldurava perfeitamente uma mulher muito bonita, loira, de olhos azuis e usando um vestido azul igualmente belo.
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                Quando Rapunzel afastou os lábios da estátua que um dia fora Julian, algo estranho aconteceu.
                Uma luz avermelhada começou a surgir na pedra, como se ela estivesse sendo aquecida a uma temperatura altíssima.
                Rapunzel se afastou, assustada. A luz cresceu, junto com um som estranho e agudo que aumentava de intensidade junto com ela.
                Então, outro barulho se distinguiu. Uma rachadura na estátua, na altura dos olhos. Depois, outra, na barriga. E mais outra, e mais outra.
                Os cidadãos olhavam pasmados para a cena, espantados, mas curiosos demais para deixarem de assistir.
                De repente, a estátua se partiu em pedaços, emitindo uma luz extremamente forte, numa intensidade que cegou a todos por um momento. Ninguém pode ver um outro campo de luz circular que partiu da estátua e se prolongou por todo o perímetro do vilarejo.
                Quando todos finalmente conseguiram abrir os olhos, ficaram abismados com o que viram.
                O vilarejo estava como novo. As casas quebradas e queimadas estavam consertadas e novinhas em folha. O chão arenoso e de terra ressecada estava totalmente coberto por grama e flores. O ar parecia mais fresco e as mulheres sentiram uma estranha sensação que não sentiam desde quando Taylor lançara a maldição.
                A vida estava de volta a Swift, mais intensa do que nunca.
                Mas Rapunzel não percebeu nada daquilo. A única coisa que ela enxergava era, à sua frente, um rapaz muito belo e jovem, vestido com roupas matrimoniais.
                - Julian... – El balbuciou, com lágrimas nos olhos.
                Quando ele pousou os olhos nela, eles se arregalaram.
                - Rapunzel!
                Eles correram um para o outro. Finalmente, depois de tantos anos, estavam juntos.
                - Eu... Eu pensei que você estivesse morto! – Ela disse, chorando.
                - E eu pensei que nunca mais te veria. – Ele ajeitou os cabelos dela. – Eu te amo.
                - Eu também te amo. – E então eles se beijaram, chamando a atenção de todo o vilarejo, que se extasiou ainda mais ao ver o casal reunido novamente.
                Ainda na orla do bosque, as princesas Tália e Gabriela nada entendiam.
                - Mas o que aconteceu?
                - Como isso é possível?
                Liam e Niall sorriram, se entreolhando. Eles já haviam tido tal experiência anteriormente.
                - A maldição de Taylor foi quebrada. – Liam respondeu.
                - Mas como? – Gabi estava boquiaberta.
Niall deu-se ao trabalho de explicar.
                - Simples: foi o amor. Ele é mais forte que qualquer magia negra.
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Oi, gente, tudo bem com vocês? Espero que tenham gostado do cap. :) Ele já estava planejado há quase um ano e meio kkkkkkkkkkk e estava ansiosa para escrevê-lo.
Continuo com seis comments.

Bjs