terça-feira, 7 de julho de 2015

Capítulo 70 – Entre fugas e desolações

Capítulo 70 – Entre fugas e desolações


                Mulan escutou a respiração de alguém no quarto e seu coração se apertou. Ela estava deitada em uma cama macia, porém seu corpo estava voltado para uma parede, de forma que ela não viu quem dividia o espaço do aposento consigo.
                Sua mente estava em atividade frenética: pensava no duende, no acordo feito semanas antes, no sonho, no pagamento exigido pelo líquido que destruía as orcruxes.
                Matar Harry. Em um segundo, a frase que pairava de um lado para outro de seu cérebro passou a tomar conta dele todo.
                Não poderia mata-lo. Ela... Ela o amava. Quer quisesse admitir ou não, aquela era a verdade. Apaixonara-se por aquele idiota paspalhão inconsequente e  galanteador...
                Mulan voltou a si. As últimas palavras do duende retumbaram por seus ouvidos, altas e claras: “Quando você acordar, à primeira visão de Harry, você o atacará impiedosamente e o matará.”
                Não. Ela não poderia. Nunca, jamais. Mas... O que fazer?
                “Você precisa sair daqui, Mulan.” – pensou.
                A chinesa não se virou. Alguém ainda respirava, e ela não poderia se dar ao descuido de arriscar ser Harry. Vagarosamente, ela escorregou para fora da cama, arrependendo-se logo em seguida.
                A dor no abdome foi tão intensa que ela não conseguiu evitar arfar. Colocando uma mão sobre a região, ela percebeu que estava enfaixada por baixo de uma camisola fina de seda branca. Estranhamente não sentia frio, mas nada parecia fazer sentido naquele instante. Não sabia onde estava, nem como chegara ali. A única certeza que tinha em mente naquele instante era que não podia ver Harry de jeito nenhum, e que precisava escapar para pensar com clareza em algum plano que pudesse fazer com que o destino de seu amado mudasse.
                Será que Harry estaria por ali, naquele lugar? Ela não sabia, mas não poderia correr o risco da incerteza.
                Mulan se levantou, sufocando alguns gemidos de dor. Ela apertou algum ponto de pressão seu corpo para aliviar um pouco da dor e ergueu a coluna.
                Observou o pouco que podia olhar sem que pousasse os olhos em alguém que, sem dúvida, estava a sua direita, deitado em outra cama.
                Em frente à cama onde estava deitada, havia um baú. Mulan foi até ele, abrindo-o cautelosamente. Lá, roupas diversas estavam dispostas: vestidos, túnicas, camisolas e camisas finas e... Uma calça de tecido reforçado e um majestoso casaco azul e branco específico para neve.
                Sem hesitar, ela tirou silenciosamente a camisola e colocou as roupas que selecionara.
                Um segundo depois, já estava fora do quarto.
                Mulan observou os arredores. Tudo parecia ser feito de gelo, porém nada era frio. Encontrava-se em um corredor que dava uma volta circular, prosseguindo para sabe-se lá onde, dos dois lados.
                “Para onde devo ir?”, pensou.
                Resolveu escolher sua direita. Até o momento, tudo se encontrava deserto, e o silêncio era cortado apenas pelas batidas de seu coração. As botas fofas e quentes que usava amorteciam o barulho de seus passos, e Mulan agradeceu por isso.
                Ela continuou andando por pouco tempo até que o corredor se abriu para um amplo espaço que continha uma escada, a qual conduzia para um imenso e belíssimo salão arredondado com decoração esplendorosa.
                A chinesa não conseguiu evitar que sua boca se abrisse por alguns poucos segundos, até ouvir um conjunto de vozes que se elevava do andar de baixo, abafadas, porém, por se encontrarem atrás de duas amplas portas do lado esquerdo do salão.
                Despertada de seus devaneios, ela entrou em alerta. O salão abaixo parecia vazio, apesar das vozes em outro cômodo perigosamente próximo. Ela reconheceu três das quatro: Taylor, Louis e... Harry.
                “Então, é aí que você se meteu...”, pensou.
                A jovem já se preparava para voltar por onde viera, quando uma outra porta se abriu, do lado direito do salão.
                Mulan se abaixou, escondendo-se atrás de um pilar, e observou quando um rapaz de cabelos brancos e rosto simpático, que segurava um cajado, entrou no recinto.
                Contudo, não foi o desconhecido que lhe chamou a atenção. Não lhe importava o nome dele, nem a cor de seu cabelo. Foi a paisagem recortada pela porta que encheu seu coração de alivio: ela viu, claramente, a nevasca do lado de fora.
                Aquela passagem a levaria de volta às montanhas.
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                - Saldo da nossa missão de resgate: uma estátua de uma bruxa terrível, três donzelas e uma vila inteira salvas... – começou Niall.
                - Um amigo cego e um espelho quebrado, que nos impede de reencontrar nossos companheiros... – terminou Liam.
                - Valeu a pena?
                - Um grande poeta disse uma vez que tudo vale a pena, se a alma não é pequena. – respondeu Liam ao amigo.
                - Ele deve ter razão... – o loiro continuou. – Mas por que me sinto péssimo?
                Os dois suspiraram. Estavam do lado de fora do hospital da vila, agora tão cheia de vida com a quebra da maldição. Entretanto, apesar do sucesso de parte da missão, não conseguiam parar de pensar em Zayn.
                Uma senhora saiu de dentro da pequena casa que funcionava como hospital, trazendo notícias depois de pelo menos seis horas de “internação”.
                - Rapazes... – ela disse, os olhos baixos. – O médico de Príncipe Lanza disse que fez o que podia para amenizar a dor de Zayn, mas que não há nada que ele possa fazer quando ao fato...
                - De ele estar cego? – Disse Niall.
                A senhora abaixou a cabeça.
                Niall se levantou, irritadiço. Maldita Taylor! Não adiantava que estivesse vivendo um destino terrível de morte lenta e claustrofóbica, aquilo não adiantava para seu coração perder a raiva e o ódio que se entupiam em suas veias.
                Ele começou a andar rumo a uma parte do bosque, pisando duramente no chão.
                - Niall! – Liam o chamou.
                Como o amigo não respondeu, o fazendeiro cumprimentou a mulher com um aceno de cabeça, agradecendo-a pela informação, e seguiu Niall.
                A senhora olhou os dois se afastarem até ficarem ocultos pelas árvores do bosque, entristecida.
                Voltou para auxiliar o médico a cuidar de Zayn, só saindo alguns minutos mais tarde, quando uma jovem mulher, de nome Marion, foi substituí-la em seu turno.
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                - Niall, acalme-se! – Liam, disse, exasperado, tentando alcançar o amigo que se embrenhava cada vez mais pelo bosque. – Niall! NIALL!
                Ao ouvir o grito, Niall parou. Liam também parou, observando as costas do amigo.
                - Qual é o problema, Niall? – Liam disse, a voz mais calma.
                O loiro começou a responder em um tom bastante agressivo.
                - Qual o problema? QUAL O PROBLEMA?! O PROBLEMA É QUE, O TEMPO TODO, SOMOS ATACADOS POR ESSAS BRUXAS NOJENTAS QUE ACHAM QUE O MUNDO É DELAS! SOMOS SERES INSIGNIFICANTES QUE NÃO PASSAM DE MARIONETES NAS MÃOS DESSAS MALDITAS! ELAS BRINCAM CONOSCO E, QUANDO SE CANSAM, NOS JOGAM FORA COMO SE O PESO DE NOSSAS VIDAS FOSSE SEMELHANTE AO DE BONECAS DE PANO!
                Liam se assustou com o tom usado pelo amigo. Mesmo assim, ele caminhou vagarosamente até ele, pondo a mão em seu ombro.
                Quando fez isso, lágrimas começaram a rolar pelos olhos de Niall e, em pouco tempo, ele chorava tanto que chegava a soluçar.
                - Desculpe. – disse, entre lágrimas. – Você não tem nada a ver com isso.
                - De fato. – Liam respondeu. – Mas entendo perfeitamente como você se sente.
                - É só que... – Niall enxugou os olhos. – Parece que eu acabei de ter um choque de realidade. Até há pouco, lutamos e nos ferimos, mas também vencemos, sem danos significativos a qualquer um de nós... Mas então... Zayn... ele... – Niall soluçou outra vez. – Desculpe.
                - Você é uma pessoa muito boa, Niall, e sei que seu coração puro ainda será recompensado por carregar tanta bondade. – Liam disse, para reconforta-lo. – Não precisa se envergonhar. Está chorando de raiva, frustração e tristeza, por saber que seu amigo não recuperará mais a visão. Em seu coração, sei que desejaria mil vezes que fosse você e não Zayn.
                - Foi só agora, Liam, que eu percebi que nós somos feitos de carne. Parecia que nada poderia nos abalar.
                - E nada poderá, se não permitirmos.
                Niall sorriu.
                - Você está certo, como sempre. Mas, além de Zayn, temos ainda outro problema: como faremos para nos reencontrarmos com Louis, Harry, Taylor, Gandalf e Mulan? Não temos mais o espelho.
                - Isso é algo em que tenho pensado muito também, meu amigo.
                - Ah! Como eu queria voltar no tempo e pensar em outra forma com a qual poderíamos ter salvado as princesas, Rapunzel e a vila, sem estar com Pe. Lanza murmurando nos nossos ouvidos o quanto ele é maravilhoso e bravo por ter atordoado Taylor. Uma forma com a qual pudéssemos ter evitado a cegueira de Zayn e ainda ter mantido o espelho intacto!!! – Niall elevou a voz, voltando a ficar irritado, e deu um chute no chão.
                Nesse instante, algo pequeno e dourado, com um barulho tilintante, voou na direção de alguns arbustos adiante dos dois amigos.
                - O que foi aquilo? – Perguntou Liam.
                - Parece que eu chutei alguma coisa. – Niall franziu as sobrancelhas, abrindo caminho rumo à direção dos arbustos.
                Liam o seguiu.
                Niall se abaixou no lugar onde vira o objeto cair e abriu a folhagem das plantas, encontrando diante de si uma reluzente moeda dourada.
                - Mas o quê...?
                - Niall, o que é isso?
                - Parece... Parece uma moeda... De ouro!
                - Como é que é?
                Niall pegou a moeda e alisou-a com o dedo. Em seguida, ele a lambeu.
                - Definitivamente, é ouro.
                - Você sabe dizer se algo é de ouro pelo gosto? – indagou Liam.
                - Não seja bobo. – disse. – Eu sei pela coloração, pela textura e pelo peso. Todos os irlandeses sabem.
                - Então por que você a lambeu?
                - Porque eu quis, ora.
                Liam fez uma careta, mas resolveu ignorar Niall.
                - Mas que sorte a nossa! Talvez, com essas moedas, consigamos alguns cavalos. Assim poderemos alcançar mais depressa Louis, Taylor, Harry, Mulan e Gandalf.
                - NÃO! – Niall se exasperou de repente. – Não podemos fazer isso.
                - Hã? Por que não?
                Niall bufou.
                - Você definitivamente não é irlandês. Nunca ouviu falar dos duendes dos potes de ouro no fim do arco-íris?
                - É claro que já ouvi. Mas isso é ridículo! Você não está pensando que...
                - É exatamente isso que estou pensando. Isso não nos pertence. Temos que devolver ao seu verdadeiro dono.
                - Você só pode estar de brincadeira!
                - Liam! Não podemos pegar para nós! Não é nosso. Além disso, se não devolvermos, os duendes podem ficar bravos conosco.
                - Oh, tudo bem então. Vamos devolver ao senhor duende, certo? Tem só um probleminha: ELES NÃO EXISTEM!
                - Como você sabe?
                - Você está vendo algum duende por aqui, Niall? Aliás, você já viu algum duende em toda a sua vida? – Liam perguntou, sarcástico.
                - Aposto que você também não acreditava magos, espelhos mágicos, enfim...
                Liam teve que ficar quieto. Aquele era um excelente argumento, por sinal.
                - Tá, mas então, se duendes realmente existem, onde encontraríamos um pra devolver uma moeda que não sabemos nem há quanto tempo pode estar aqui?
                - Simples. – Niall respondeu, sorrindo, se inclinando mais para frente e mexendo em outras folhagens. Aos olhos de Liam, um segundo brilho dourado reluziu. – Seguindo a trilha que ele acidentalmente deixou.
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Oi, gente, há quanto tempo, não?!
Nem sei se alguém ainda lê o que eu escrevo, mas, eis aqui a continuação da história.
Perdoem-me pelo tempo que fiquei fora.
Pretendo voltar a postar regularmente.
Continuo com um comentário.

Bjs J

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Capítulo 69 – À Mercê das Vontades Alheias

Capítulo 69 – À Mercê das Vontades Alheias

                - Tá bom, deixa eu ver se entendi... Quer dizer que você e seu marido podem controlar o gelo, e que essa é a fortaleza de vocês? – falou Harry.
                Ele estava mais calmo agora que Mulan estava sob cuidados médicos. Gandalf também estava sendo cuidado. Louis, Harry e Taylor haviam se reunido com a bela jovem de cabelos loiros e vestido azul da mesma cor de seus olhos.
- Aliás, qual é seu nome mesmo? – voltou a perguntar Harry.
- Elsa Frost. Eu e meu marido, Jack, passamos os invernos aqui desde que nos casamos.
- Mas não é inverno ainda. – Harry coçou a cabeça.
- Jack saiu para isso. Ele está trazendo o inverno para a Grã-Bretanha. A essa altura, já deve estar nevando na Inglaterra. Em poucos dias, aqui já estará bastante frio.
Harry ficou surpreso.
- Você e seu marido controlam o gelo??????? QUE IRADO!
- Depois de tudo pelo que passamos você ainda se surpreende, Harry, sério??
- Obrigado por nos alojar. – agradeceu Louis, ignorando os dois amigos – E, claro, por cuidar de nossos amigos.
- Por nada! Gandalf é um velho amigo meu. Nos conhecemos no casamento de Ana, minha irmã, e seu marido, Kristoff.
- Ana? Ela é bonita? – perguntou Harry.
- Você não ouviu a parte do “casada”, Harry? – falou Louis, envergonhado.
- Pensei que estivesse apaixonado por Mulan. – disse Taylor.
- Ah, eu sei! Força do habito, pessoal, foi mal.
- A propósito – continuou Elsa – Lamento por não ter deixado vocês entrarem antes. Não percebi que Gandalf estava com vocês... Sinto muito!
- Ah, tudo bem. Nós quase morremos sufocados e de frio. Por nada não.
Louis dá um soco em Harry.
- Todos os meus amigos, inclusive Gandalf, sabem a senha. Mas o enigma existe para impedir a entrada de desertores que querem me matar ou ao meu marido. Somos um casal cheio de inimigos. – Elsa mexeu na trança, sorrindo envergonhada. – Ah, que indelicadeza! Querem uma xícara de chá quente?
- Chá gelado, você quis dizer. – falou Harry, caindo em uma gargalhada profunda.
Louis e Taylor ignoraram a piada idiota. Louis deu outro soco em Harry.
- Aceitamos, Elsa, obrigado. – respondeu Taylor.
Todos se dirigiram a uma sala aconchegante onde foram servidos com xícaras de chá e alguns biscoitos deliciosos.
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Mulan acordou no meio de uma floresta. Ela se levantou um pouco tonta, mas não sentiu nenhum tipo de dor. Aos poucos, tentou se lembrar do que havia acontecido. Logo, as últimas imagens do que acontecera surgiram em sua mente. Os yetis estacaram a ela e a Taylor. A última coisa da qual Mulan se lembrava era de estar gravemente ferida, se arrastando pelo chão. Será que...?
- Estou... Morta?
Uma risadinha soou atrás dela.
- Poderia estar, minha cara. Mas, não. Está apenas em um doce sonho.
- Acho que não é tão doce assim, já que você está nele. – ela disse, olhando para o mesmo duende esquisito que tinha lhe dado o líquido para destruir orcruxes.
- Nossa, por que tanta grosseria? Eu poderia dizer que gostaria que você tivesse morrido na mão daqueles Yetis, mas estaria mentindo se não dissesse que estou relativamente feliz por estar viva.
- E posso saber o porquê dessa felicidade? – ela perguntou ameaçadora.
- Porque senão não poderia te cobrar sua parte da nossa transação.
Mulan engoliu em seco. Suas pernas bambearam. Ela havia se esquecido daquilo, mas não havia o que fazer. Sabia no que se metera quando fizera negócios com aquela criatura repugnante, e agora tinha que pagar sua dívida. Querendo ou não.
- Diga o que quer de mim.
- Ah... Eu resolvi cobrar bem baratinho para uma jovem bonita como você. – ele girou em torno do corpo de Mulan, analisando-a – Quero apenas uma vida. Mate aquele que você chama de Harry.
O coração de Mulan se apertou e seus olhos se arregalaram.
- O QUÊ?! Não posso fazer isso!!! Não sou assassina... Eu... Eu... Não posso matar Harry!!!
- Lamento, fizemos um trato.
- Dane-se o trato! Esqueça! Não farei o que você manda!
- Ah, querida... – o duende abriu um sorriso maligno – Você vai sim.
- Não pode me obrigar!!!
- Quer pagar pra ver?
- Peça-me qualquer outra coisa, por favor!
- Não, não, não. – balançou o dedo indicador da esquerda para a direita – Fizemos um pacto.
De repente, um pergaminho apareceu com a assinatura de Mulan.
- Está vendo? É o seu nome aqui. Você terá de cumprir com os termos!
- Por que você mesmo não mata quem você quiser? E por que tem que ser Harry? O que você quer com ele? – perguntou ela, desesperada.
- Isso não é problema seu. Agora você vai acordar e fazer o que eu lhe mandei.
- Esqueça!
- Está bem, então. Eu não queria que fosse assim, mas as circunstâncias me obrigam e seu nome no nosso contrato me permite que eu o faça. Quando você acordar, à primeira visão de Harry, você o atacará impiedosamente e o matará.
- O QUÊ?! NÃO! NÃO PODE FAZER ISSO! Não...
- Espero que acorde nos braços do seu amado, minha querida. Tenha um bom fim de sono. – ele sorriu, mostrando os dentes amarelados – Hasta la vista, baby. – ele estalou os dedos.
- NÃO! – ela gritou, ainda no sonho, mas era tarde demais.
Um segundo depois, Mulan acordou.
Havia alguém no aposento com ela.
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Oi, pessoal, tudo bem?
Eu sei que não estou postando, mas estou muito triste com esse fato, e existe um motivo para ele: Tendinite – não sei se se escreve assim.
Pois é, estou com muita dor e, até que eu melhore, não posso escrever nem desenhar. L
Mas, a Elo e a Elena me ajudaram e digitaram pra mim este cap.
Não está muito longo, mas espero que gostem. J
Bjs

domingo, 14 de dezembro de 2014

Capítulo 68 – Quebrando Barreiras

Capítulo 68 – Quebrando Barreiras


- MULAN! – Harry berrou, assim que a viu nos braços de Taylor.
Ele correu até ela, cambaleando pela neve.
- MULAN! NÃO! NÃO! – Harry finalmente chegou até Taylor, encostando o ouvido no peito da chinesa. Ele se desesperou quando, à princípio, não ouviu nenhum som. Contudo, logo depois, sentiu uma fraca batida.
                Ele levantou a cabeça, percebendo que sua mão, que estivera apoiada no abdome de Mulan, estava ensanguentada.
                - O QUE ACONTECEU? O QUE ACONTECEU? – Harry berrou. Ele estava à beira da loucura. – POR QUE VOCÊ NÃO A PROTEGEU?!
                - HARRY! – Louis gritou e, quando ele se virou, deu-lhe um soco.
                Recompondo-se, Harry assentiu, após um minuto de choque.
                - Obrigado. – disse a Louis.
                Os três voltaram para a pequena caverna na qual Louis e Harry haviam deixado Gandalf.
                Quando finalmente entraram na segurança que ela oferecia, Taylor apoiou Mulan no chão liso de gelo polido, próxima a Gandalf. Harry logo em seguida ajoelhou-se ao lado dela e segurou-lhe a mão, aflito.
                - Este é o abrigo? – Taylor perguntou, olhando em volta. Como o chão, as paredes da caverna eram de gelo liso, polido, de forma que todos podiam se ver refletidos. Ela tinha uma forma circular e não era profunda. Apesar de protege-los do vento, era ainda muito fria.
                - Foi a única que nós encontramos. – Esclareceu Louis, sem também considerar o local um abrigo dos mais eficientes.
                - Ela está muito gelada, Louis! – Harry disse, sentindo a temperatura da mão de Mulan. Ele estava à beira das lágrimas.
                Louis observou a caverna com mais cautela. A luz que vinha do lado de fora não a iluminava muito bem.
                - Que barulho é esse? – Perguntou Taylor.
                - Que barulho? – Harry indagou.
                Todos ouviram assim que ele terminou de falar.
                - Avalanche! – Louis.
                De repente, uma gigantesca quantidade de neve fez tremer o chão de gelo. Logo depois, a luz que vinha do lado de fora desapareceu à medida que a neve da avalanche cobria a entrada da caverna.
                Em um segundo, a escuridão tomou conta do ambiente.
                O desespero se alastrou por todas as cabeças conscientes, mas nenhuma foi capaz de emitir nenhum som.
                O coração de Louis se apertou. A escuridão o incomodava, e ele respirava com dificuldade. Ele deu alguns passos para trás, a fim de encontrar a parede da caverna para se orientar.
                Suas costas encostaram, finalmente, na superfície polida e gelada. E então uma luz surgiu.
                O gelo começou a brilhar, um brilho azulado que se alastrou por toda a superfície da caverna, iluminando-a.
                - Mas o quê...? -  o cavaleiro não terminou a frase. No teto, ele observou uma estranha inscrição que começava a se revelar por meio da luz.
“Sou igual a todos os que me veem, mas ao mesmo tempo não sou nada. Não sou tangível, mas meu poder se estende além do lugar onde me encontro. Quem sou eu?”
                - O que é isso?! – Louis perguntou, chamando a atenção de todos para o teto.
                - Parece um enigma. – Taylor respondeu.
                - Será que temos de responde-lo? – Harry franziu a testa.
                - Pela minha curta experiência, Harry, enigmas são feitos para serem respondidos.
                - Eu sei, Louis. O que quis dizer é, o que acontece se descobrirmos a resposta?
                - Eu não tenho ideia. – Respondeu o cavaleiro. – Mas, se não o fizermos, corremos o risco de não conseguirmos salvar Mulan.
                - Se não o fizermos, corremos o risco de morrermos, todos, sufocados. Vocês perceberam, não é? Estamos ficando sem ar! – Taylor falou, sério. – A neve está impedindo a passagem do ar.
                Louis e Harry concordaram.
                - Talvez destravemos alguma passagem para um ambiente aquecido, ventilado e com suprimentos. Precisamos tentar.
                - Mas não faz sentido nenhum! – Harry falou, se desesperando novamente ao ler o enigma pela segunda vez.
                - É um enigma, Harry. – Louis disse, andando de um lado para o outro. – A resposta deve ser bastante óbvia. Só precisamos nos concentrar.
                - Como vamos nos concentrar se estamos ficando sem ar?!
                - Podemos começar por você se acalmando e ficando quieto! – Louis respondeu, ríspido. O desespero de Harry não os levaria a lugar nenhum.
                “Vamos, Louis, pense.” – Ele dizia a si mesmo, mentalmente. Se ao menos Gandalf ou Mulan estivessem acordados! Eles eram os mais inteligentes do grupo.
                “Ah, Liam, Zayn e Niall, espero que estejam melhor do que nós.”
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                - Ele não está nada bem! – Liam falou, se ajoelhando com Niall ao lado de Zayn. Lágrimas de tristeza e aflição enchiam os olhos dos dois amigos.
                - Zayn... – Niall segurou a mão do amigo.
                O Gato de Botas estava irreconhecível. Não era um terço do ladino imponente, disposto, esbelto e belo que sempre fora.
                Suas pálpebras estavam fechadas, mas sangravam, e ele não se mexia, mas seu rosto ostentava uma aparência pálida de gente doente.
                Ele não conseguia chorar, e estava atormentado demais para conseguir falar alguma coisa.
                - Zayn... – Liam repetiu.
                - Deixem-me. – Ele conseguiu dizer, fracamente. – Quero ficar sozinho.
                - Mas... – Niall ia protestar, mas Liam o interrompeu.
                - Venha, Niall, você o conhece. Deixe-o sobre os cuidados dos soldados e do médico de Pe. Lanza.
                - Mas... – Niall queria protestar mais uma vez, mas compreendeu o que Liam dizia. Eles conheciam Zayn e, quando ele queria ficar sozinho, é porque queria ficar ficar sozinho. Simples assim.
                Os dois se afastaram, observando o médico de Pe. Lanza enrolar uma bandagem em volta dos olhos do amigo.
                Depois, os olhos deles caíram em Rapunzel. Ela arrastava os cabelos castanhos para o meio das árvores. Tinha pressa, mas a fraqueza a impedia de se locomover muito depressa. Tália e Gabriela a acompanhavam, tentando ajuda-la como podiam com o cabelo.
                Os dois seguiram na direção delas, acompanhando-as até o momento em que ultrapassaram as últimas árvores do bosque que as separavam de Swift. Ali, no limite do vilarejo, Rapunzel parou, levando a mão à boca, com lágrimas nos olhos.
                Swift estava irreconhecível. As casas estavam todas quebradas, e os cidadãos se movimentavam apagando fogo e socorrendo feridos. Não se ouviam gritos de criança, porque não havia nenhuma criança.
                Rapunzel prosseguiu o caminho, depois de alguns instantes, dispensando a ajuda das princesas com o cabelo gigantesco.
                Quando os cidadãos do vilarejo a viram, pararam, em choque.
                Ela continuou seu caminho, sem se ater às exclamações e aos murmúrios a seu respeito.
                Quando, finalmente, Joseph a viu, ele correu em direção a ela.
                - MINHA FILHA! – Ele gritou, chorando sem nenhum pudor.
                Ela abraçou o pai com a maior força que podia.
                O encontro comoveu a todos. Não havia uma única pessoa que tivesse parado suas atividades para ver os dois, com exceção de três homens, que saíram de repente de um recinto que pegava fogo.
                Eles carregavam uma pesada estátua de pedra, da altura de um homem, para tirá-la do meio das labaredas.
                Quando Rapunzel pousou os olhos na estátua, ela afastou-se do pai, indo até ela com uma expressão triste.
                Os homens apoiaram a estátua no chão no momento em que ela chegou até eles, que se afastaram em sinal de respeito.
                Rapunzel passou os dedos magros pelo rosto de pedra de Julian. Ela começou a chorar ainda mais, arrancando lágrimas de todos os que a observavam. Era uma pobre viúva, vítima de seu amor.
                - Julian... – Ela acariciou o cabelo de pedra. – Me desculpe por tudo... Eu... Eu te amo.
                E, dizendo isso, Rapunzel beijou os rústicos lábios de pedra.
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                - Hum, já sei! A resposta é Deus! – Harry exclamou, animado. – Não é tangível, somos sua imagem e semelhança e seu poder se estende além de onde se encontra!
                - Não pode ser Deus. – Taylor rebateu. – Nós não O vemos.
                - Mas aqueles que O veem... São iguais a Ele. – Harry tentou.
                - Não, Harry, não é Deus. – Louis falou. – Se fosse, algo já teria acontecido.
                - Se algo for acontecer.
                Louis ignorou o pessimismo de Harry e voltou a raciocinar. Por um minuto, ao pousar seus olhos e Mulan, seu coração se desesperou, mas ele lutou contra o pânico. Ele não o deixaria pensar.
                - Então é um desenho! – Harry tentou de novo. – Um desenho não é tangível, não é nada.
                - Um desenho tem poder, por acaso, Harry? E, se um desenho se chama desenho, é porque é alguma coisa. – Taylor disse.
                - Você fica colocando defeito em tudo o que eu falo, mas sugerir a resposta que precisamos você não fez ainda! – Harry retrucou, irritado.
                - Calado, Harry! – Louis repreendeu-o. – Obviamente não é um desenho.
                Harry ficou bravo, mas não havia tempo para curtir a raiva.
                - Poderia ser a palavra? – Ele tentou novamente.
                - Por que a palavra? – Taylor quis saber.
                - Ela soa igual aos ouvidos de todos, e não é tangível, é totalmente abstrata. Além disso, o poder da palavra é impressionante.
                - Sim, mas nós não vemos a palavra, Harry. – Louis observou.
                Harry bufou.
                “Vamos, Louis, pense.” – O cavaleiro falou mentalmente. Ele se esforçava ao máximo, mas sua respiração estava cada vez mais pesada, e o desespero o estava contaminando.
                Ele observou, por um segundo, sua imagem refletida no gelo límpido. Não acreditava que morreria daquele jeito, numa caverna, onde ninguém jamais o encontraria, e o pior: morrer sem salvar Eleanor.
                Seu coração doeu. Seu reflexo era o de um homem feito, bonito e aparentemente corajoso, como o que deixara o castelo de sua família com o objetivo de salvar o amor de sua vida, ou morrer tentando. Mas ele não era mais aquele homem. Estava com medo. Cansado.
                Harry percebeu a confusão do amigo.
                - Louis, pare de se culpar.
                - Não há como, Harry. Falhamos. E vamos morrer aqui. Eu sou um idiota.
                - Idiota, você? Obviamente, não.
                Louis bufou.
                - Não consigo nem mesmo responder a um enigma idiota! – Ele se controlou para não socar a parede da caverna.
                - Você é muito mais do que pensa, Louis! Você estaria procurando Eleanor até agora, sozinho, se não tivesse me encontrado, e estou certo de que não pararia de procura-la por nada nessa vida. Você me salvou, diversas vezes, mesmo quando nem me conhecia, e eu não passava de um vagabundo que não tinha mais ânimo de viver. Você deu uma vida nova a Liam! E a Niall! E você deu uma luz de esperança a Zayn! Você tem nos liderado nessa missão, que ajudou muita gente além de nós. Sua verdadeira natureza é refletida nas suas ações. Eu gostaria de ser, um dia, Louis, um terço do homem que você é!             
                Louis sorriu. As palavras de Harry acalmaram seu coração atormentado. Se eles morressem naquele momento, Louis morreria em paz, pois, de fato, fizera o possível e o impossível para resgatar Eleanor, e ajudara muitas pessoas, realmente. E se aquela fosse a sua missão na Terra, escolhida por Deus, ficaria feliz em ter sido ele o designado para cumpri-la.
                - Obrigado, Harry. – Ele sorriu, as palavras de Harry ainda retumbando em sua cabeça. – Espere! O que você disse?
                - Que eu gostaria de ser, um dia, um terço do homem que você é.
                - Não, não, antes disso!
                - Ah, sei lá, não lembro.
                - Ele disse que sua verdadeira natureza é refletida nas suas ações. – Taylor falou.
                - É isso!
                - Isso o quê? – Harry franziu o cenho.
                - A resposta!
                - Do enigma?
                - Sim!
                - Qual, Louis?!
                - O reflexo!
                - O reflexo?! – Taylor indagou.
                - Sim! Somos iguais ao nosso reflexo, mas ele é algo intangível, e não é matéria como nós, portanto não é nada!
                - Mas nosso reflexo não tem poder! – Harry exclamou.
                - Harry, foi você que acabou de dizer que tinha!
                - Como assim?
                - O reflexo é mais do que a imagem que vemos em uma superfície polida! Um homem se reflete nas suas ações, que podem transformar para o bem e para o mal! Esse é o poder que vai além do lugar onde se encontra! A resposta é reflexo!
                - Não pode... – Harry começou a dizer, mas parou quando um novo brilho surgiu na parede circular da caverna, um brilho que se moldou no formato de uma porta. E então, logo depois, a figura definida pelo brilho se afastou para trás, formando uma passagem, que emoldurava perfeitamente uma mulher muito bonita, loira, de olhos azuis e usando um vestido azul igualmente belo.
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                Quando Rapunzel afastou os lábios da estátua que um dia fora Julian, algo estranho aconteceu.
                Uma luz avermelhada começou a surgir na pedra, como se ela estivesse sendo aquecida a uma temperatura altíssima.
                Rapunzel se afastou, assustada. A luz cresceu, junto com um som estranho e agudo que aumentava de intensidade junto com ela.
                Então, outro barulho se distinguiu. Uma rachadura na estátua, na altura dos olhos. Depois, outra, na barriga. E mais outra, e mais outra.
                Os cidadãos olhavam pasmados para a cena, espantados, mas curiosos demais para deixarem de assistir.
                De repente, a estátua se partiu em pedaços, emitindo uma luz extremamente forte, numa intensidade que cegou a todos por um momento. Ninguém pode ver um outro campo de luz circular que partiu da estátua e se prolongou por todo o perímetro do vilarejo.
                Quando todos finalmente conseguiram abrir os olhos, ficaram abismados com o que viram.
                O vilarejo estava como novo. As casas quebradas e queimadas estavam consertadas e novinhas em folha. O chão arenoso e de terra ressecada estava totalmente coberto por grama e flores. O ar parecia mais fresco e as mulheres sentiram uma estranha sensação que não sentiam desde quando Taylor lançara a maldição.
                A vida estava de volta a Swift, mais intensa do que nunca.
                Mas Rapunzel não percebeu nada daquilo. A única coisa que ela enxergava era, à sua frente, um rapaz muito belo e jovem, vestido com roupas matrimoniais.
                - Julian... – El balbuciou, com lágrimas nos olhos.
                Quando ele pousou os olhos nela, eles se arregalaram.
                - Rapunzel!
                Eles correram um para o outro. Finalmente, depois de tantos anos, estavam juntos.
                - Eu... Eu pensei que você estivesse morto! – Ela disse, chorando.
                - E eu pensei que nunca mais te veria. – Ele ajeitou os cabelos dela. – Eu te amo.
                - Eu também te amo. – E então eles se beijaram, chamando a atenção de todo o vilarejo, que se extasiou ainda mais ao ver o casal reunido novamente.
                Ainda na orla do bosque, as princesas Tália e Gabriela nada entendiam.
                - Mas o que aconteceu?
                - Como isso é possível?
                Liam e Niall sorriram, se entreolhando. Eles já haviam tido tal experiência anteriormente.
                - A maldição de Taylor foi quebrada. – Liam respondeu.
                - Mas como? – Gabi estava boquiaberta.
Niall deu-se ao trabalho de explicar.
                - Simples: foi o amor. Ele é mais forte que qualquer magia negra.
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Oi, gente, tudo bem com vocês? Espero que tenham gostado do cap. :) Ele já estava planejado há quase um ano e meio kkkkkkkkkkk e estava ansiosa para escrevê-lo.
Continuo com seis comments.

Bjs

domingo, 12 de outubro de 2014

Capítulo 67 - Instinto

Capítulo 67 - Instinto

Cena do filme "A Múmia - Tumba do Imperador Dragão"

- YETIS? – A voz de Taylor cortou o vento. – O QUE SÃO YETIS?
                - YETIS, OU ABOMINÁVEL HOMEM DAS NEVES, OU PÉ GRANDE, DEPENDE DO LUGAR DO MUNDO EM QUE VOCÊ ESTÁ! – Mulan respondeu, estranhando o fato de Taylor tê-la ouvido por sobre o vento, mas ignorou o fato. Havia coisas mais importantes com as quais se preocupar.
                Taylor assentiu, estremecendo um pouco, não de frio, mas de medo. Mulan fez o mesmo.
                Os Yetis pararam a uma distância de dez metros do príncipe e da chinesa. Eles bufavam e olhavam ameaçadoramente para os dois, prontos para atacar.
                A cena permaneceu parada por alguns instantes. Seria uma questão de quem atacaria primeiro.
                Os sentidos do príncipe estavam muito aguçados. Taylor podia distinguir, mesmo com o barulho do vento ao seu redor, as batidas de três corações. O de Mulan era o que batia mais forte. Ele podia sentir o cheiro do medo dela, como também sentia o cheiro da fome de morte dos dois Yetis.
                Taylor olhou para um deles e sustentou seu olhar. `Por um minuto, o Yeti pareceu sorrir, e o príncipe sentiu o cheiro de sua satisfação, como se ele e Mulan fossem um alvo fácil. Entretanto, algo estranho aconteceu logo em seguida.
                O faro de Taylor captou medo no Yeti. O príncipe não sabia, mas por um momento, seus olhos haviam se transfigurado de castanhos para um dourado animalesco. E foi quando o Yeti soube quem Taylor era de verdade.
                Foi quando ele sentiu medo.
                E foi quando ele atacou.
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                A ventania machucava as bochechas de Harry e Louis.
                O peso de Gandalf era enorme e eles faziam um grande esforço para transportá-lo enquanto procuravam a caverna que lhes serviria de abrigo.
                - ONDE ESTÁ, LOUIS? – Harry berrou, desesperado. Ele estava preocupado com Mulan.
                - NÃO SEI! – Louis sabia da preocupação do amigo, mas não havia nada que pudesse fazer enquanto eles não encontrassem o abrigo. – CONTINUE PROCURANDO.
                Eles estavam seguindo as orientações de Gandalf, mas o vento levantava a neve e deixava difícil enxergar. Louis temia que já tivessem passado do local certo.
                Eles continuaram andando, a tensão e a agonia aumentando a cada segundo.
                Foi então que, de repente, Harry gritou, apontando um pouco mais à frente.
                - LOUIS! VEJA!
                O cavaleiro seguiu a direção que o dedo de Harry indicava e enxergou, fracamente, a silhueta de uma abertura na lateral da montanha.
                Só podia ser aquilo.
                Eles apressaram o passo.
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                Mulan e Taylor já estavam com as espadas apontadas para os alvos quando os Yetis ficaram frente a frente com eles.
                Mulan se esquivou por debaixo das pernas da enorme criatura e desferiu-lhe um corte na nádega esquerda.
                A criatura urrou, virando-se depressa com as garras afiadas prontas para atingir a chinesa, que se jogou no chão e rolou para trás.
                Taylor também conseguiu se desviar do primeiro golpe e acertar o outro Yeti na perna direita. Alguns pingos avermelhados caíram na neve branca enquanto a criatura se recompunha da dor que lhe fizera soltar um urro ensurdecedor.
                O Yeti logo se virou, acertando em cheio a espada de Taylor e lançando-a abismo abaixo. Taylor então correu o mais depressa que pôde na direção oposta, tentando pensar no que fazer.
                Na verdade, não havia o que fazer. A montanha tremia com as passadas largas do Yeti que corria para alcança-lo e não havia arma ou qualquer coisa dura e pontiaguda que o príncipe pudesse usar para se defender.
                Por isso ele fez algo que jamais teria feito se não soubesse que havia algo muito errado com ele.
                Taylor virou-se e começou a correr na direção do Yeti que se aproximava cada vez mais depressa.
                Três... Dois... Um...
                O Yeti viera com os braços esticados para frente para agarrar Taylor, e o príncipe estava da mesma forma quando eles se chocaram, cada um contendo o avanço do outro.
                Os punhos do Yeti se fecharam sobre os de Taylor, enfiando seus garras no pulso dele.
                Taylor gritou de dor. Ou, pelo menos a princípio, parecera um grito. Ele escutou ecoar pela montanha um urro que acabara de sair de sua boca. Mas nem ligou. Um surto de adrenalina desceu por sua coluna e ele começou a empurrar o Yeti para trás.
                O Yeti se assustou, e começou a empurrar Taylor com mais força. Contudo, mesmo com altura e peso superiores, a natureza não o fizera uma criatura tão forte quanto a que Taylor estava se tornando.
                Ele urrou, e Taylor urrou de volta. Os olhos do príncipe estavam totalmente dourados e, por baixo dos punhos do Yeti, garras começaram a crescer, perfurando a carne da imensa criatura branca.
                O Yeti soltou o pior dos urros até aquele instante, e Taylor aproveitou seu momento de instabilidade para empurrá-lo com ainda mais força até o final da montanha.
                Sem ter tido chance de reagir, o Yeti simplesmente sentiu o vazio sob seus enormes pés. Enquanto ele caía, soltou um grunhido angustiante.
                Taylor não conseguia raciocinar. Ao ver o Yeti caindo, ele sentiu uma imensa satisfação. Ele havia desejado entrar na luta, e ela o deixara extasiado. Tinha sido puramente instintivo.
                Ele tentava retornar ao normal e reorganizar o pensamento quando olho para o lado e viu Mulan.
                Ela estava caída, se arrastando com dificuldade com uma das mãos enquanto a outra segurava o abdome. Uma trilha vermelha ia se formando conforme ela se mexia.
                Mais à frente da chinesa, o Yeti havia acabado de se recompor de um ataque. A lâmina de Mulan havia atravessado sua coxa esquerda. Ele quebrou a ponta da espada e correu até ela, com muita dor, porém mais furioso do que nunca. Ele estava prestes a mata-la.
                Quando os olhos de Taylor captaram essa imagem, ele de repente se esqueceu de quem era e o que estava fazendo ali. Se alguém pudesse vê-lo naquele momento, teria se assustado com seus dentes. Eles começaram a crescer e a ficar mais pontiagudos. Os olhos, que haviam voltado ao normal durante alguns segundos, perderam todo o traço de humanidade. Ele ainda tinha forma humana, mas não parecia um homem, e menos ainda pareceu quando começou a correr na direção do Yeti e um rosnado violento saiu de sua boca.
                O Yeti estava com as garras arreganhadas prestes a rasgar a primeira parte do corpo de Mulan que encontrassem. A criatura, entretanto, virou-se assustada ao escutar o rosnado de Taylor, que vinha em sua direção.
                Um segundo depois, os dois rolavam pelo chão, a neve se espalhando para todos os lados, grunhidos ecoando pela montanha. Assim que conseguiu espaço, enquanto o Yeti estava sobre ele, Taylor enfiou suas garras no centro do peito do monstro.
                O Yeti guinchou de dor e perdeu o apoio das mãos, afundando ainda mais seu peso nas garras. Ele logo parou de se debater.
                Taylor – ou melhor dizendo, o que era Taylor naquele momento – o empurrou com força para o lado e soltou um som estranho que sinalizava a vitória.
                Ele olhou para o lado, arfando, e viu a neve com o rastro de sangue de Mulan.
                Naquele momento, ele não era o nobre príncipe que costumava ser. Estava fora de si. E foi por isso que o sangue atiçou ainda mais seu instinto predador.
                Ele começou a andar, meio arqueado, ao longo do rastro. Em seu rosto se projetavam pelos e suas feições ficavam mais duras, mais animalescas.
                Foi então que ele viu o corpo da chinesa. Ela estava desmaiada. Havia perdido muito sangue e o frio não havia ajudado. Presa fácil.
                Ele parou ao lado dela e levantou a garra da mão esquerda. Podia ouvi-la respirando, e os batimentos de seu coração também. E aquele barulho o irritava.
                Ele desceu as garras, preparado para matar.
                Mas então, a trinta centímetros das costas de Mulan, ele parou. “Não!” – Algo em sua cabeça gritava para ele. – “Ela é sua amiga!”
                Começou então uma outra luta. O lado humano versus o lado animalesco do príncipe. Ele começou a rosnar e a uivar, e a girar para todos os lados. Foi então que a parte humana de Taylor conseguiu uma vantagem. A um comando de seu cérebro, as garras de Taylor se enfiaram em seu próprio abdome.
                E ele sentiu uma dor terrível.
                E a dor ativou seu lado humano.
                Taylor se ajoelhou na neve e levou primeiramente as mãos ao abdome, abraçando-o para tentar conter a dor. Depois, contudo, algo muito pior para ele aconteceu em sua cabeça.
O príncipe tapou os ouvidos com a mão, sua mente em conflito interno. Ele parecia ouvir o barulho que o mundo inteiro estava fazendo. Um barulho, que começou como um urro e terminou como um grito, saiu de sua boca.
Taylor de repente recobrou a consciência, como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo com um susto. Ele estava olhando para a neve do chão. O príncipe estava suando, e se sentindo muito cansado.
Ele tentou se levantar, cambaleando a princípio. Estava tonto, mas já não sentia nada nem na cabeça e nem no abdome.
Ele olhou para suas roupas. Estavam rasgadas onde ele se automutilara, mas não havia nenhum ferimento. Ele olhou para seus dedos e viu sangue.
Então ele se lembrou de Mulan.
Taylor correu até ela e a virou. Ela estava tão fria que, se Taylor não pudesse a ouvir respirando, ele pensaria que ela estava morta.
Taylor rasgou um pedaço de sua própria capa e o enrolou no ferimento de Mulan. O Yeti a havia arranhado de um lado a outro do abdome, e o sangue não parava de jorrar. Além disso, a região da ferida estava cada vez mais roxa.
Taylor precisava retirá-la dali, e o mais rápido possível.
Sem nenhum esforço, ele pegou-a no colo, o cheiro de sangue deixando-o um pouco desnorteado. Ele ignorou aquele instinto como pôde e começou a correr na direção para onde Louis e Harry haviam levado Gandalf.
Ele correu incrivelmente rápido. Estava se sentindo mais forte do que nunca. O frio não o incomodava. E isso o assustava, assim como as coisas que acabara de fazer.
Ele tentara matar Mulan! E matara dois Yetis, usando puramente força bruta. Ele precisava falar com Gandalf o mais rápido possível. Não importava que Taylor tivesse de morrer. Ele tinha ciência de que ser um... (Como era mesmo o nome? Ah, sim, lobisomem) era perigoso, e era nobre o suficiente para reconhecer aquilo e morrer para proteger a todos.
Todavia, aquele não era o momento para se preocupar com ele. O que ele precisava fazer era encontrar o abrigo.
E não demorou muito para que avistasse Harry e Louis saindo de uma caverna, rumo ao local de onde o haviam deixado com Mulan.
Taylor foi ao encontro dos dois, o peso de uma vida em seus braços.
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Oi, gente, tudo bem?
Eu sei que só peço desculpas o tempo todo, mas eu estive trabalhando muito em uma feira cultural, que finalmente passou. Antes e depois dela, tive provas. Então me perdoem. Sei que falho muito, mas consegui um espaço para escrever.
E então, gostaram?? Mal posso esperar pra postar o próximo.
Continuo com oito comments.
Bjs